O Irã iniciou a instalação de minas no Estreito de Hormuz, em uma manobra que pode comprometer ainda mais o já reduzido comércio marítimo na região. O processo está em fase inicial, com apenas algumas dezenas de explosivos posicionados nos últimos dias, mas o governo dos Estados Unidos prevê um aumento dessa prática ao longo do conflito.
Em resposta à ação iraniana, Donald Trump exigiu a remoção imediata das minas, advertindo que “as consequências para o Irã serão de uma magnitude sem precedentes” caso o país não atenda à demanda. Desde o anúncio do bloqueio, Washington busca desenvolver um plano para escoltar embarcações pelo local, mas ainda não implementou nenhuma medida concreta.
Durante sua participação no WW, na noite de terça-feira (11), professor de Relações Internacionais Maurício Santoro comentou o ceticismo americano, mas ponderou que o Irã é capaz de persistir suas ofensivas em Hormuz, que pode “deflagrar uma crise energética global”.
“Irã é um estado com potência militar bastante considerável então é perfeitamente verossímil que o país consiga minar o Estreito de Ormuz” , avaliou o especialista.
Em outro flanco da guerra, o Irã continua lançando mísseis e drones contra países vizinhos. Na terça-feira (10), as forças iranianas atingiram o Qatar, o Bahrein, os Emirados Árabes Unidos e Israel. No Bahrein, um drone atingiu um prédio residencial, matando uma pessoa.
A escalada do conflito ocorre em meio à crescente rejeição da opinião pública americana à guerra. Diferente de conflitos anteriores, a maioria dos americanos desaprova a atual intervenção, temendo que possa aumentar o custo de vida e deixar os Estados Unidos menos seguros. Além da perda de apoio interno, países aliados também pedem o fim das hostilidades.
Friedrich Merz, primeiro-ministro da Alemanha, após encontro recente com Trump na Casa Branca, declarou não ter visto nenhum plano claro para o conflito e afirmou que “uma guerra sem fim não é de interesse de ninguém”.
Declaração que vai de acordo à avaliação do analista de internacional da CNN Lourival Sant’Anna, que julga os Estados Unidos como incapaz de impedir as ações do Irã em Hormuz por completo. “O que os americanos têm capacidade é de dissuadir os iranianos “, disse.
Ilha de Khark: ponto estratégico no conflito
A ilha de Khark, onde se concentra 90% do refino do petróleo iraniano, representa um ponto estratégico crucial para a economia do Irã. Localizada a 25 quilômetros da costa iraniana, a ilha é fortemente defendida com sistemas antiaéreos devido à sua importância vital. Os Estados Unidos têm ameaçado, de forma mais ou menos explícita, destruir a ilha, o que representaria um golpe devastador para a economia iraniana.
Analistas alertam que tal ação poderia elevar o conflito a um patamar ainda mais perigoso. Paradoxalmente, quanto mais os EUA ameaçam destruir a Ilha de Khark para evitar o fechamento do Estreito de Hormuz, maior se torna o incentivo para o Irã fechar o estreito enquanto ainda possui essa capacidade, criando um ciclo de escalada de tensões com consequências imprevisíveis para toda a região.
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Fonte : CNN