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O acordo nuclear New Start, que limitava o arsenal nuclear de Estados Unidos e Rússia e expirou nesta quinta-feira (5), tornou-se anacrônico diante das mudanças na distribuição de poder global e dos avanços tecnológicos militares, segundo a analista Fernanda Magnotta no CNN 360°.

O acordo, originalmente negociado no final da Guerra Fria no início dos anos 1990 entre os EUA e a então União Soviética, tinha como objetivo garantir a desmobilização das capacidades nucleares de ambas as potências, estabelecendo metas claras e mecanismos de fiscalização que não existiam no Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).

“O Start foi um acordo originalmente negociado lá no finzinho da Guerra Fria, no comecinho dos anos 90, entre os Estados Unidos e a então União Soviética, que depois viria a ser a Rússia, com o objetivo de garantir uma desmobilização objetiva da sua capacidade nuclear”, explicou Magnotta.

China emerge como nova potência nuclear

Um dos principais fatores que tornam o acordo ultrapassado é o crescimento significativo do arsenal nuclear chinês nos últimos anos. Pequim tem aumentado rapidamente sua capacidade militar ofensiva sem demonstrar interesse em participar de acordos que limitem seu poderio, seja para garantir autonomia de ação soberana ou por ambições geopolíticas relacionadas ao seu entorno geográfico na Ásia.

“Em relação à China, a principal crise que se abate é o fato de que o arsenal chinês está crescendo bastante nos últimos anos. A gente está falando da China não só aumentando a sua capacidade ofensiva, crescendo rapidamente do ponto de vista militar, mas não demonstrando aptidão ou interesse em fazer qualquer tipo de acordo que limite essa capacidade”, destacou a analista.

Além da emergência da China como potência nuclear, a deterioração das relações entre Estados Unidos e Rússia contribuiu para o fim do acordo. A Rússia se retirou do New Start em 2023, no contexto do conflito na Ucrânia, evidenciando a crescente desconfiança entre as partes que originalmente celebraram o tratado.

Avanços tecnológicos tornam acordo obsoleto

Outro elemento crucial que torna o New Start anacrônico são os avanços tecnológicos militares que não estavam contemplados no acordo original. Enquanto o tratado focava em armas nucleares convencionais, o mundo atual enfrenta ameaças de armas hipersônicas, mísseis de alcance intermediário e amplo, além de sistemas de defesa antimísseis.

“A gente está vivendo num mundo de arma hipersônica, de míssil de alto alcance, de amplo alcance, ou mesmo de mísseis de intermediário alcance. A gente está falando de sistema de defesa, de antimísseis, que não estão cobertos nesse tipo de acordo”, ressaltou Magnotta.

O presidente Donald Trump defendeu a criação de um novo acordo nuclear que inclua Rússia, China e Estados Unidos, reconhecendo a necessidade de atualizar os mecanismos de controle de armas nucleares para refletir a atual realidade geopolítica. No entanto, as mudanças rápidas no cenário internacional e a volatilidade das relações entre potências tornam desafiadora a criação de um novo tratado eficaz.

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Fonte : CNN

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