O TJGO (Tribunal de Justiça do Estado de Goiás) condenou uma academia de Anápolis (GO), após um episódio envolvendo o uso de um short curto pelo produtor Marcus Andrade durante o treino. Ele será indenizado em R$20 mil.
O incidente ocorreu em 30 de junho de 2025, quando o aluno foi abordado nas dependências da academia, em razão de sua vestimenta (um short com fendas laterais).
Segundo o relato, ele foi conduzido a uma sala de vidro onde recebeu uma advertência, sendo informado de que sua roupa seria inadequada para o “ambiente familiar” do local. O caso ganhou grande repercussão após o aluno expor publicamente o ocorrido, alegando ter sido vítima de homofobia.
Marcus disse à CNN que ficou em estado de choque quando a situação ocorreu. “Eu reconheço que eu vivo numa posição privilegiada em termos social e econômico, então eu nunca tinha passado por uma situação de homofobia“, disse ele.
O produtor afirmou ainda que demorou para entender que havia sido vítima de homofobia e que entrou com o processo na Justiça assim que se deu conta da situação. “No primeiro momento eu fiquei me culpando, mas a partir da própria nota que academia emitiu, foi ficando cada vez mais claro para mim que o problema não era meu vestuário, mas uma posição homofóbica baseada em religião”, completou o produtor.
A Justiça entendeu que o estabelecimento tem o direito de estabelecer códigos de vestimenta e regras de convivência como parte de seu poder de gestão. Como a conversa ocorreu em sala reservada e de forma discreta, a juíza considerou que, nesse momento inicial, não houve ato ilícito, falha na prestação do serviço ou conteúdo explicitamente homofóbico.
O erro da academia, de acordo com a pasta, ocorreu após o incidente, quando o estabelecimento publicou uma nota oficial para se defender, justificando sua conduta com base em um fundamento religioso, ao afirmar que a academia tem o objetivo de “agradar e honrar a Deus.”
A decisão foi assinada pela juíza Luciana de Araújo Camapum Ribeiro, do 3º Juizado Especial Cível de Anápolis, que considerou que a academia introduziu uma carga de reprovação moral à identidade do consumidor ao vincular um fundamento religioso a um episódio envolvendo um aluno homossexual.
*Sob supervisão de AR.
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Fonte : CNN