wp-header-logo.png

A contratação de mais de 12 GW de novas usinas termelétricas no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026 pode comprometer a viabilidade do futuro leilão de sistemas de armazenamento de energia, avalia a Absae (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia).

Considerando também usinas existentes movidas a carvão, óleo e gás natural, o volume total contratado supera 17,5 GW. Segundo o presidente da entidade, Markus Vlasits, o volume contratado de térmicas reduz o espaço para novas tecnologias no sistema elétrico, especialmente os sistemas de baterias (BESS, na sigla em inglês).

“A contratação volumosa de fontes térmicas, com mais de 12 GW de nova capacidade, incorre em um risco grande do leilão de BESS ainda sem data ser esvaziado”, afirmou.

A posição de Vlasits contrária a do secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Gustavo Ataíde, que disse recentemente que a contratação não afeta a demanda do futuro leilão de reserva de capacidade voltado para baterias.

Os leilões de capacidade ocorridos nos dias 18 e 20 de março vão incorrer em um custo total ao consumidor superior a meio trilhão de reais ao longo de todo o contrato. Vlasits destaca que o cenário também reforça a necessidade de avanço na contratação de armazenamento no país. “Os dados mostram que há uma urgência pelo leilão de baterias, que têm um custo de operação de 40% a 50% menor que o das térmicas”, disse.

 

Disputa por espaço no sistema

O debate ocorre após o governo contratar um volume relevante de usinas térmicas no leilão de capacidade, voltado a garantir segurança energética diante do crescimento das fontes renováveis intermitentes.

Para a Absae, no entanto, a ampliação da geração térmica pode ter efeitos negativos sobre a eficiência do sistema elétrico.

“No mesmo dia em que o preço do barril do petróleo bateu recorde de US$ 150, o Brasil contratou 500 MW  em térmicas a óleo e biodiesel, aumentando ainda mais a dependência de combustíveis fósseis e se mostrando uma visão contraditória”, diz Vlasits.

“Enquanto térmicas pouco flexíveis aumentam o desperdício da geração renovável, baterias são a tecnologia capaz de capturar e reaproveitar essa energia”, afirmou.

O setor aguarda a definição das regras para o certame, considerado estratégico para ampliar a flexibilidade do sistema elétrico brasileiro e reduzir custos no longo prazo.

“É urgente que o Ministério de Minas e Energia publique a portaria de diretrizes para o leilão de capacidade por meio de baterias”, acrescentou o executivo.

source
Fonte : CNN

Destaques Informa+

Relacionadas

Menu