Desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, o aumento nos preços do petróleo e do gás natural tornou-se um foco importante tanto para os mercados quanto para os consumidores. E outros bens também tendem a ficar mais caros.
Com a disparada dos preços do petróleo, o custo do transporte de mercadorias físicas ao redor do mundo já aumentou e deve continuar subindo enquanto a guerra se prolongar.
E como muitas empresas já estão absorvendo a maior parte do custo das tarifas impostas pelo governo no último ano, elas têm pouca margem de manobra para assumir custos de transporte mais altos, apontou Brian Bethune, professor de economia do Boston College.
“Se observarmos a persistência desses preços (do petróleo) mais altos por um período de tempo, então veremos um choque de custos persistente”, destacou ele.
Os países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) concordaram unanimemente, na quarta-feira (11), em liberar 400 milhões de barris de petróleo no mercado global – a maior liberação de reservas emergenciais de petróleo da história. Trata-se de uma medida destinada a reforçar o fornecimento de petróleo bruto e conter a alta dos preços causada pela guerra no Oriente Médio.
A AIE destacou ainda nesta quinta (12) que o mundo enfrenta a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história, com a oferta global prevista para cair 8 milhões de barris por dia em março.
Sobretaxas de combustível
As taxas de frete são amplamente determinadas pelos preços do diesel. Por exemplo, uma sobretaxa de combustível de 21,5% entra em vigor para entregas FedEx Ground e residenciais quando os preços do diesel atingem pelo menos US$ 3,55 por galão.
Em 9 de março, o preço do diesel era de US$ 4,86 por galão, quase US$ 1 a mais do que na semana anterior, segundo dados da Administração de Informação Energética dos EUA. Isso significa que uma sobretaxa de combustível de 24,75% entrará em vigor na próxima semana.
Uma estrutura semelhante existe em todos os principais modais de transporte de carga – aéreo, ferroviário e marítimo – com base no tipo de combustível utilizado e no respectivo preço.
Onde os consumidores verão preços mais altos
Nos EUA, os supermercados são um dos primeiros lugares onde os consumidores verão os efeitos do aumento dos preços dos combustíveis – especificamente nos corredores de frutas, verduras, carnes e laticínios, sinalizou Deborah Weinswig, CEO e fundadora da Coresight Research, um grupo de pesquisa e consultoria em cadeia de suprimentos e varejo.
Quanto menor a estabilidade de um produto, menor a capacidade das empresas de estocá-lo – e maior a vulnerabilidade a aumentos de preços.
Fora dos supermercados, os preços mais altos demorarão mais a aparecer, acrescentou Weinswig. As tarifas impostas pelo presidente Donald Trump no ano passado incentivaram as empresas a aumentar os estoques antes da entrada em vigor das novas taxas, o que significa que elas têm suprimentos suficientes disponíveis.
Buscando soluções
As empresas provavelmente explorarão outras maneiras de lidar com o aumento dos custos de combustível.
Quando a guerra entre a Rússia e a Ucrânia começou em 2022, os preços do petróleo dispararam, agravando ainda mais a inflação já elevada.
Naquela época, muitas empresas optaram por reduzir o tamanho dos produtos, mantendo o mesmo preço — uma prática conhecida como “redução de tamanho”, que, na prática, representa um aumento de preço.
Mas, com os consumidores já começando a cortar gastos, as empresas podem ter mais dificuldade em disfarçar essas mudanças. Isso pode levá-las a recorrer a uma medida mais drástica para reduzir custos: demitir funcionários.
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Fonte : CNN