Já imaginou ganhar criptomoedas recém-lançadas, direto na sua carteira virtual e sem precisar investir muito tempo ou dinheiro para isso? Por mais que pareça golpe ou pirâmide, isso é realmente possível com airdrops.
Contudo, existem algumas ressalvas. Mas antes, é importante explicar de onde vêm esse dinheiro — e por qual motivo ele é distribuído dessa maneira.
Airdrops nada mais são do que uma campanha de marketing de empresas descentralizadas no mercado de criptomoedas: os protocolos.
Quando um protocolo, ou até uma blockchain, decide lançar um token próprio — como o Ethereum lançou o ether em 2014 — a equipe por trás precisa gerar volume financeiro e atrair o máximo de usuários possível. Afinal, qual a utilidade de um aplicativo se ninguém o usa no dia a dia? É uma campanha de lançamento.
É por esse motivo que, geralmente após algumas rodadas de financiamento, o time por trás dos tokenomics — planejamento econômico dos tokens — separa um valor dedicado ao airdrop. A distribuição dessas criptomoedas depende de fatores escolhidos pela equipe de marketing do projeto.
Além disso, as métricas de classificação para determinar quem ganha mais ou menos tendem a estar alinhadas às metas da empresa cripto.
É uma competição entre os usuários da Web3.
Quem mais usar aquele blockchain — ou quem melhor realizar uma série de tarefas vinculadas ao modelo de negócio dela — é mais beneficiado.
Um ranking é disponibilizado, e os usuários podem ver seu desempenho em relação aos demais. Existem aqueles que não passam pela pontuação mínima — e portanto não recebem nada — e aqueles que conquistam os primeiros lugares — e assim ganham uma quantidade maior daquelas criptomoedas.
É nessa altura que entra a primeira ressalva. Os airdrops, em geral, são divididos em dois tipos: os que exigem bastante tempo — mas com baixo custo financeiro —, e os que exigem pouco tempo, mas um investimento mais elevado.
Isso porque, alguns protocolos de finanças descentralizadas são dedicados ao valor total travado, ou TVL na sigla em inglês.
Por exemplo, um protocolo de empréstimos — como a Aave — possibilita que qualquer um tenha acesso à um crédito em criptoativos, ou ainda empreste para outros usuários com objetivo de colher juros.
Para isso, a Aave precisa ter liquidez em seus cofres digitais, e uma das maneiras de atingir isso é por meio de usuários na ponta do credor — ativamente travando capital e recebendo juros de quem fez o empréstimo.
Em um airdrop da Aave, a métrica usada pela equipe para distribuir recompensas em airdrop é a quantidade cedida pelos participantes da campanha de marketing.
Claro, o dinheiro ainda é seu, e está rendendo juros, mas é necessário que esteja lá para coletar pontos e subir no ranking da competição. Nesse exemplo, basta que o usuário deixe o dinheiro parado rendendo. Não exige tempo, mas exige capital.
O segundo cenário é o lançamento de um protocolo que deseja atrair volume e usuários novos. Para isso, a métrica que define quem serão os mais recompensados é de visitas diárias à plataforma, uso dos serviços da empresa e acessos ao site.
Como tudo no blockchain, essas atividades são registradas no livro-razão de maneira pública e descentralizada. Após o término do período da campanha, uma captura de tela é tirada e a equipe contabiliza todos os pontos.
Outra ressalva importante é acerca da quantidade de participantes na campanha de marketing. O número de tokens que a equipe irá distribuir não se altera, portanto quanto mais pessoas competindo entre si, mais difícil é de garantir uma fatia dessas recompensas.
Quando a campanha acaba, e o protocolo já sabe exatamente o resultado, é hora de mostrar os resultados e iniciar a reivindicação. Ou seja, os participantes atentamente acessam um site oficial do projeto e checam se ganharam estes ativos — e quantas unidades ganharam. Alguns dias depois, podem colher esses frutos.
A maneira de reivindicar também difere em dois cenários: a direta e indireta. A primeira é a mais fácil, a equipe do projeto sabe exatamente o endereço da carteira virtual de quem está elegível a ganhar as criptomoedas e as envia automaticamente. O dinheiro cai na conta do usuário, e pronto.
A segunda opção, é a distribuição indireta. Nela, cabe ao usuário elegível ir ao site oficial de reivindicação e, ao conectar sua carteira, resgatar esse dinheiro. O processo leva alguns poucos cliques, mas é de extrema importância a atenção. Muitos golpes na Web3 consistem na simulação de um site de airdrop similar ao oficial.
Assim que a carteira é conectada, os golpistas roubam todos os ativos da vítima.
Em resumo, é possível sim ganhar criptomoedas no mercado cripto, mas exige alguns cuidados e uma seleção cuidadosa de qual campanha de marketing vale ou não a pena participar.
Alguns airdrops já chegaram a distribuir milhões de dólares para pessoas comuns, enquanto outros não entregaram nada à maioria dos participantes.
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Fonte : CNN