Apontado pelas autoridades como um dos criminosos mais influentes do Rio de Janeiro, Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, foi preso nesta quinta-feira (26) durante uma ação da FICCO/RJ (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado). Ele era considerado o principal foragido da Operação Libertatis II e figurava entre os alvos prioritários das forças de segurança no estado.
A prisão ocorreu em uma mansão casa em Cabo Frio, na Região dos Lagos, em operação conjunta da Polícia Federal e da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, com suporte do Serviço Aeropolicial. No mesmo endereço, também foi detido o policial militar da ativa Diego D’Arribada Rebello de Lima, que, segundo os investigadores, atuava como segurança do contraventor.
Adilsinho tinha mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal e pela Justiça Estadual. Ele é investigado por chefiar um esquema bilionário de produção e distribuição de cigarros falsificados, além de integrar a cúpula do jogo do bicho no Rio.
Ascensão no submundo
De acordo com a Polícia Federal, a trajetória de Adilsinho no crime começou há cerca de 20 anos, com a criação de softwares para máquinas de videobingo adulteradas, conhecidas como “draculinhas”. A atuação no setor de jogos ilegais abriu caminho para ele ampliar sua influência dentro da contravenção.
Com o passar dos anos, passou a controlar áreas estratégicas para a venda de cigarros contrabandeados e falsificados. As investigações indicam que, entre 2015 e 2024, o grupo sob seu comando movimentou ao menos R$ 5 bilhões com a atividade ilícita.
O modelo de atuação, segundo a PF, envolvia domínio territorial, imposição de monopólio na comercialização dos produtos ilegais, corrupção de agentes públicos e uso de violência para afastar concorrentes, estratégia semelhante à empregada na exploração do jogo do bicho.
Operação e denúncias por homicídio
O nome do contraventor também aparece como alvo de investigações conduzidas pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). No começo deste mês, policiais civis da especializada deflagraram uma operação para cumprir quatro mandados de prisão relacionados à morte de Fabrício Alves Martins de Oliveira, ocorrida em outubro de 2022. Entre os alvos estava Adilsinho, apontado como mandante do crime.
O caso também é objeto de denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que atribui ao contraventor a responsabilidade por dois homicídios ligados à disputa pelo controle do comércio ilegal de cigarros.
Fabrício foi morto no dia 2 de outubro de 2022, em um posto de combustíveis em Campo Grande, na zona Oeste da capital. Dois dias depois, Fábio Leite, que era sócio da vítima, foi assassinado nas proximidades do Cemitério de Inhaúma, na zona Norte, após sair do enterro do parceiro.
Segundo o Ministério Público, os crimes ocorreram em meio a conflitos entre grupos criminosos rivais. Em janeiro, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro expediu mandado de prisão contra Adilsinho, após a Justiça aceitar denúncia por homicídio qualificado. Ele é descrito como o líder da organização criminosa e o responsável por ordenar ou concordar com a execução.
A decisão judicial destaca que o assassinato foi cometido mediante emboscada, em local público, com armamento de grosso calibre e suspeitos usando vestimentas semelhantes às de policiais.
Relação com o carnaval
Além da atuação no crime organizado, Adilsinho é citado por investigadores como figura de influência no meio carnavalesco. Ele é apontado como patrono da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro.
A CNN Brasil tenta contato com a defesa de Adilsinho. A reportagem também procurou a Polícia Militar e a defesa do policial Diego D’Arribada Rebello de Lima.
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Fonte : CNN