Os contratos futuros das principais commodities agrícolas encerraram a sessão desta segunda-feira (9) em alta na Bolsa de Nova York, impulsionados principalmente pelo petróleo, que voltou a se aproximar do patamar de US$ 120 por barril.
O movimento reflete a crescente tensão no Oriente Médio, que tem elevado os preços da energia e ampliado a preocupação dos investidores com possíveis impactos nos custos de produção, logística e oferta global de produtos do agronegócio.
Açúcar
Na Bolsa de Nova York, o contrato do açúcar com vencimento em maio fechou cotado a US$ 14,59 centavos por libra-peso, com avanço de 3,48%.
Segundo dados do Barchart, os preços da commodity foram impulsionados pela nova alta do petróleo, após ataques de Israel a instalações de armazenamento no Irã. A valorização da energia tende a favorecer o etanol, aumentando a competitividade do biocombustível e incentivando usinas a destinarem mais cana-de-açúcar para sua produção, em detrimento do açúcar.
Com isso, cresce a expectativa de redução na oferta global do adoçante. Os contratos futuros já superaram a marca de 14,3 centavos de dólar por libra, atingindo o maior patamar desde 9 de fevereiro.
Uma pesquisa da Reuters divulgada em 6 de março aponta que os preços do açúcar podem encerrar o ano cerca de 10% acima dos níveis atuais. A estimativa considera uma mudança no balanço global, de um excedente de 1,39 milhão de toneladas na safra 2025/26 para um déficit de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas em 2026/27.
Para a região Centro-Sul do Brasil, a produção é estimada em 40,38 milhões de toneladas no ciclo atual, volume próximo ao registrado na safra anterior, porém com menor participação de cana destinada à fabricação de açúcar.
Cacau
Os preços do cacau também fecharam em alta em Nova York. O contrato para entrega em maio avançou 1,83%, cotado a US$ 3.289 por tonelada.
O Tranding View destacou que o mercado manteve suporte após a forte valorização registrada na última sexta-feira, quando os preços subiram 5,73% e atingiram a máxima em duas semanas.
As tensões geopolíticas no Oriente Médio levaram investidores a recompor posições no mercado futuro, diante do risco de interrupções logísticas no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do comércio global.
A eventual restrição da navegação no estreito pode elevar os custos de frete, seguros e combustíveis, pressionando os custos de transporte e reduzindo o fluxo de exportações.
Apesar do suporte geopolítico, os fundamentos do mercado ainda indicam cenário de oferta relativamente confortável. Condições climáticas favoráveis têm melhorado as perspectivas de produção na África Ocidental, especialmente na Costa do Marfim e em Gana, principais produtores mundiais.
Ao mesmo tempo, sinais de desaceleração da demanda global têm contribuído para o aumento dos estoques. Diante desse cenário, os dois países reduziram recentemente os preços pagos aos agricultores para estimular as vendas.
Café
Na Bolsa de Nova York, o contrato futuro do café arábica com entrega em maio encerrou a sessão em alta de 1,23%, negociado a US$ 2,969 por libra-peso.
Os preços atingiram o maior nível em três semanas, sustentados tanto por fatores climáticos quanto logísticos.
Além disso, o mercado segue atento aos possíveis impactos da crise no Oriente Médio sobre o transporte marítimo. O fechamento do Estreito de Ormuz elevou as taxas de frete, os custos de seguro e os preços dos combustíveis, pressionando as despesas de importadores e torrefadores.
Segundo a Somar Meteorologia, o estado de Minas Gerais, principal região produtora de café arábica do Brasil, recebeu 14,9 milímetros de chuva na última semana, volume equivalente a cerca de 35% da média histórica para o período.
Ainda assim, o mercado continua monitorando as perspectivas de produção para os próximos ciclos.
Algodão
Os contratos futuros do algodão registraram leve alta na sessão. O contrato com vencimento em maio avançou 0,65%, cotado a 64,62 centavos de dólar por libra-peso.
De acordo com o Barchart, o movimento também foi influenciado pela valorização do petróleo, que encarece o poliéster, principal substituto sintético do algodão, e pode favorecer o consumo da fibra natural.
Apesar disso, os dados de exportação dos Estados Unidos indicaram demanda mais fraca. O relatório semanal do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) mostrou vendas de 150.362 mil fardos na semana encerrada em 26 de fevereiro, queda de 40,6% em relação à semana anterior e de 9,9% na comparação anual.
Já o ICAC (Comitê Consultivo Internacional do Algodão) projeta que a produção global da fibra em 2026/27 deve cair cerca de 4%, para 24,8 milhões de toneladas. O consumo, por sua vez, é estimado em aproximadamente 25 milhões de toneladas, o que indicaria um mercado ligeiramente mais apertado.
Agora, os investidores aguardam a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do USDA que vai ser divulgado nesta terça-feira (10).
Suco de laranja
O contrato futuro do suco de laranja com vencimento em maio fechou a sessão cotado a US$ 1.808 por tonelada, com valorização de 0,31% na Bolsa de Nova York.
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Fonte : CNN