A guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciada no começo de março, tem se mostrado um desafio significativo para Donald Trump, que enfrenta crescente desaprovação popular e custos políticos cada vez maiores à medida que o conflito se arrasta. Especialistas apontam falhas estratégicas fundamentais na condução americana do confronto.
William Waack, âncora e analista da CNN Brasil, destaca que Trump ignorou princípios básicos de estratégia militar com mais de 2.500 anos: “Se um objetivo político é mal formulado, não há força militar capaz de realizar”. Segundo Waack, a ausência de objetivos políticos claros compromete toda a operação militar americana, apesar de sua superioridade bélica.
Reação da população americana
De acordo com Mariana Janjácomo, correspondente em Washington, os Estados Unidos entraram na guerra sem apoio de aliados e sem respaldo interno. Apenas uma parte da base trumpista apoia o conflito, e mesmo esse apoio tem diminuído conforme a guerra se prolonga.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que Trump tem apenas 36% de aprovação, o menor índice de seu segundo mandato.
O impacto econômico do conflito é outro fator decisivo para a opinião pública. O aumento no preço dos combustíveis afeta diretamente o bolso dos americanos, que não compreendem os motivos para o envolvimento militar no Oriente Médio.
“O americano começou a sentir no bolso as consequências disso. O americano que não entendeu por que os Estados Unidos mandaram soldados para lá”, explica Janjácomo.
Geografia e desafios militares
A geografia representa um desafio significativo para as forças americanas. O terreno montanhoso do Irã favorece a guerra de guerrilha, e o controle do Estreito de Ormuz – por onde passa 20% da energia mundial, 33% dos fertilizantes e 9% do alumínio – dá ao país persa uma vantagem estratégica considerável.
O conflito também coloca em risco aliados importantes dos Estados Unidos na região, como os reinados árabes do Golfo, que têm relações comerciais significativas com a família Trump.
A situação de Israel é particularmente delicada, com o país recebendo ataques constantes de mísseis e drones, tanto do Irã quanto do Hezbollah.
Diante do fracasso em alcançar a mudança de regime inicialmente proposta e do crescente desgaste político, Trump mudou o discurso e passou a falar em negociações, declarando vitória sem explicar claramente o que isso significa.
A morte do líder supremo do Irã proporcionou um breve momento de apoio interno, mas não alterou fundamentalmente o cenário desfavorável para a administração americana.
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Fonte : CNN