O Brasil possui apenas duas governadoras em exercício, um reflexo da baixa representatividade feminina na política nacional. Em entrevista ao Bastidores CNN, Raquel Lyra, governadora de Pernambuco, defendeu a necessidade de maior participação das mulheres nos espaços de poder e decisão política.
“A gente tem uma das piores representações do mundo na política. O nosso parlamento é um parlamento de homens”, afirmou Lyra.
A governadora argumentou que a presença feminina na política permite a criação de políticas públicas mais abrangentes, que consideram as necessidades específicas das mulheres e das famílias. Para exemplificar, Lyra mencionou iniciativas implementadas em sua gestão: “Precisou eu ser governadora de Pernambuco para dizer que uma mulher em Pernambuco não precisaria andar todos os dias 33 mil quilômetros para ter direito a ter seu bebê. Inaugurei um hospital da mulher e vou inaugurar mais quatro em Pernambuco”.
Políticas públicas voltadas às necessidades femininas
Entre as ações destacadas pela governadora está o programa “Mães de Pernambuco”, que atende 100 mil mulheres em situação de extrema pobreza com filhos pequenos, oferecendo um auxílio mensal de R$ 300. Segundo Lyra, essas beneficiárias têm prioridade na obtenção de vagas de trabalho, qualificação profissional e no acesso à habitação.
Na área educacional, a governadora mencionou a construção de creches como prioridade de seu governo: “Precisou estar uma mulher aqui no nosso estado como governadora para dizer que ia ter uma política de creches, para garantir que nós saíssemos da pior cobertura de creches do Nordeste brasileiro para construir 60 mil vagas de creches”.
Lyra também ressaltou a importância da moradia, afirmando que seu governo já entregou 22 mil casas em Pernambuco, com pelo menos 60% destinadas a mulheres, incluindo mais de 18 mil escrituras públicas em nome feminino.
Desafios para mulheres na política
A governadora criticou a falta de regras dentro dos partidos políticos para garantir a participação efetiva de mulheres nos núcleos de decisão. Ela apontou que, muitas vezes, as cotas partidárias são utilizadas apenas para cumprir requisitos legais e acessar recursos do fundo eleitoral, sem real compromisso com a representatividade feminina.
“A gente não tem regramentos dentro de partidos para garantir participação mais efetiva de mulheres nos núcleos de decisão. Sobre as cotas partidárias para garantir mulheres e receber um recurso de fundo eleitoral, muitas vezes o que mais se preocupa é como vai anistiar os partidos que não cumpriram”, criticou.
“Eu sei que tenho uma responsabilidade gigante, não só com a minha geração, mas, sobretudo, com novas gerações que possam compreender que podem ocupar qualquer espaço. Eu sei que eu sirvo de referência para isso e, para mim, é uma responsabilidade enorme”, reconheceu Lyra.
A governadora concluiu destacando que mulheres na política enfrentam mais obstáculos: “É dolorido, a gente sofre, leva muito mais pancada do que qualquer homem, tem que fazer muito mais entrega do que qualquer homem, mas quando alguém me diz que se sente representada por mim, quando a mulher me fala sobre isso, aí vale tudo a pena”.
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Fonte : CNN