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O advogado Miguel Silva, representante da família da policial militar Gisele Alves Santana, morta em 18 de fevereiro, revelou detalhes sobre o caso em entrevista ao Live CNN desta quinta-feira (19). Segundo ele, a família nunca acreditou na hipótese de suicídio levantada inicialmente pelo tenente-coronel Geraldo Rosa Neto, marido da vítima e principal suspeito do crime.

De acordo com o advogado, Gisele era mantida como uma “refém psicológica” pelo marido, que exercia forte pressão sobre ela. “Desde o início, quando a mãe foi ouvida na delegacia, ela já se manifestou que sua filha não cometeria suicídio”, afirmou Silva.

A investigação paralela conduzida pela defesa da família levantou suspeitas sobre a versão apresentada pelo tenente-coronel, especialmente após o surgimento de uma foto da vítima morta com a arma na mão.

Silva destacou que Gisele tinha intenção de se separar e havia acionado o pai para buscá-la. Além disso, a filha da policial militar, fruto de outro relacionamento, havia manifestado o desejo de morar com os avós “porque sua mãe estava sofrendo muito”. O advogado revelou ainda que as mensagens trocadas entre o casal eram “realmente chocantes” e demonstravam um tratamento desumano imposto à vítima.

Alteração da cena do crime e contradições

Na versão de Geraldo Rosa Neto, ele estava tomando banho quando ouviu um barulho, que confundiu com uma porta batendo, e só depois descobriu que se tratava de um tiro. Para o advogado de Gisele, essa versão é absurda:

“É inadmissível um oficial superior da Polícia Militar, atirador profissional, instrutor de tiro, confundir a batida de uma porta com um disparo de arma de fogo”, declarou Silva, acrescentando que uma vizinha de parede contestou essa versão.

Segundo o advogado, o suspeito alterou a cena do crime e está sendo processado por fraude processual. Ele também mudou sua versão dos fatos várias vezes, primeiro tentando atribuir as marcas encontradas no pescoço de Gisele à filha dela, depois alegando que a própria vítima teria feito as marcas para incriminá-lo e, por fim, acusando o advogado de ter ido ao IML para adulterar o corpo.

Histórico de comportamento abusivo

Miguel Silva descreveu o tenente-coronel como “um verdadeiro déspota, um abusador”. Segundo ele, existe uma ação transitada e julgada na Fazenda Pública onde uma policial denunciou o suspeito por abusos, resultando em condenação do Estado a pagar indenização por danos morais.

“Nós temos diversos relatos de pessoas que foram submetidas a esse tratamento desumano. Inclusive há relatos de policiais que foram privados em patrulhamentos de fazer alimentação”, revelou.

O advogado afirmou que, contrariamente à versão das autoridades de que o crime teria ocorrido “sob o calor da emoção”, ele acredita que se tratou de uma “tragédia anunciada”. “Gisele tem provas disso, que ela temia pela sua vida. E quando ela exigiu que não tinha mais condições de continuar neste casamento, o tenente coronel resolveu matá-la”, concluiu Silva.

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Fonte : CNN

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