Autoridades dos Estados Unidos e da Ucrânia avançam nas negociações sobre o plano do presidente americano Donald Trump para encerrar a guerra. A proposta de 28 pontos foi considerada favorável à Rússia, pois prevê que a Ucrânia ceda território, limite as próprias forças armadas e se comprometa a não entrar para a Otan.
Pelo rascunho, as regiões da Crimeia (anexada em 2014), Luhansk e Donetsk seriam reconhecidas como “russas de fato”, inclusive pelos Estados Unidos.
O plano exige ainda que as forças ucranianas se retirem das partes de Donetsk que controlam atualmente. Esta área então seria considerada uma “zona neutra desmilitarizada”, mas controlada pela Rússia e reconhecida como território russo.
No caso das regiões de Kherson e Zaporizhzhia, as linhas seriam congeladas onde estão atualmente, “o que significará reconhecimento de fato ao longo da linha de contato”. Ou seja, as partes ocupadas pela Rússia seriam reconhecidas como russas.

Em contrapartida, a Rússia deve renunciar a outros territórios que controla fora dessas cinco regiões no leste da Ucrânia.
Ainda de acordo com a proposta, os dois países se comprometeriam em não alterar essa divisão territorial por meio da força. Caso contrário, perderiam as garantias de segurança.
O plano de Donald Trump preocupou a Ucrânia e seus aliados na Europa. Após negociações em Genebra, na Suíça, durante o fim de semana, autoridades ucranianas e americanas concordaram em modificar a proposta, sem dar mais detalhes sobre o que seria alterado.
O negociador ucraniano Oleksandr Bevz relatou à imprensa local que as emendas ao texto dos EUA ainda estão sendo finalizadas e que os pontos mais complexos serão resolvidos pelos presidentes Volodymyr Zelensky e Donald Trump.
Do outro lado, Washington sugeriu que a emenda ao rascunho deve refletir os interesses de segurança nacional da Ucrânia, e o presidente Donald Trump afirmou que “algo bom talvez esteja acontecendo”.
Em meio às negociações, aliados europeus da Ucrânia apresentaram um plano alternativo, que congelaria as linhas de frente atuais, deixando as discussões territoriais para depois. Por essa contraproposta, os Estados Unidos forneceriam garantias de segurança para a Ucrânia nos moldes da Otan. (Entenda abaixo)
O texto, obtido pela Reuters e confirmado pela CNN diz: “A Ucrânia se compromete a não recuperar seu território soberano ocupado por meios militares. As negociações sobre trocas territoriais começarão a partir da linha de contato.”
A Rússia, no entanto, afirma que a proposta europeia é “improdutiva” e “não funciona” para o país.
Entenda as diferenças entre os planos dos EUA e da Europa
Concessões territoriais:
O plano dos EUA afirma que Luhansk, Donetsk e a Crimeia ocupada serão todos reconhecidos como de fato russos, inclusive pelos Estados Unidos. Também diz que Kherson e Zaporizhzhia serão congeladas ao longo da linha de contato.
O rascunho europeu difere drasticamente, de acordo com a versão obtida pela Reuters. O texto diz: “A Ucrânia se compromete a não recuperar seu território soberano ocupado por meios militares. As negociações sobre trocas territoriais começarão a partir da Linha de Contato.”
Expansão da OTAN:
O rascunho do plano dos EUA inclui uma cláusula de que a OTAN não irá se expandir mais e estipula que a Ucrânia concordará em não aderir à aliança.
O rascunho europeu remove essas disposições, afirmando que “a entrada da Ucrânia na OTAN depende do consenso dos membros da OTAN”, segundo a versão da Reuters. Observa que esse consenso não existe no momento, mas a redação deixa a porta aberta.
Exército da Ucrânia:
O plano dos EUA afirma que as Forças Armadas da Ucrânia “serão limitadas a 600.000 militares”.
O plano europeu sugere que o exército ucraniano seja “limitado a 800.000 em tempos de paz”. Em ambos os rascunhos, o exército russo — muito maior — não é solicitado a fazer cortes.
Futuras eleições:
O rascunho dos EUA também exige que a Ucrânia realize eleições dentro de 100 dias após um acordo firmado — algo que analistas dizem ser um prazo impraticavelmente curto para permitir campanhas.
O rascunho europeu apenas diz que as eleições devem ser realizadas “o mais rápido possível” após a assinatura de um acordo.
*Com informações da Reuters
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Fonte : CNN