O laboratório SpaceLab, da Universidade Federal de Santa Catarina, prepara novos lançamentos de satélites após perder dois equipamentos em uma tentativa anterior realizada a partir do Centro Espacial de Alcântara.
A próxima missão deve ocorrer ainda este ano, com envio de nanosatélites em parceria com a SpaceX, e faz parte de uma série de projetos que utilizam tecnologia desenvolvida no próprio laboratório.
A CNN Brasil conta essa e outras reportagens na série “Brasil na Lua” sobre o papel do Brasil na exploração espacial na expectativa para o lançamento da missão Artemis II, da NASA, previsto para 1º de abril, que deve marcar o retorno de astronautas à órbita da Lua e abrir caminho para novas etapas do programa lunar.
Segundo o coordenador do SpaceLab, professor Eduardo Bezerra, dois satélites da UFSC estavam a bordo de um foguete da empresa sul-coreana Innospace em um lançamento realizado em Alcântara, mas o veículo sofreu um problema durante o voo e não conseguiu entrar em órbita.
A plataforma FloripaSat foi criada para servir como base para missões acadêmicas e científicas de baixo custo. A primeira versão foi lançada em 2019, em um foguete chinês, e permaneceu operacional pelo tempo previsto, o que permitiu à equipe desenvolver a segunda geração, hoje usada em diferentes projetos.
Após a falha no lançamento mais recente, novos testes e ajustes foram feitos nos satélites e nos sistemas de integração com foguetes. Um dos próximos voos deve ocorrer no fim deste ano, na missão Transporter 18, da SpaceX. Outros equipamentos da chamada constelação Catarina também estão em desenvolvimento e devem ser lançados nos próximos anos.
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Aprendizados e desafios
De acordo com Bezerra, cada tentativa traz aprendizado técnico importante, desde a adaptação dos satélites ao sistema de ejeção do foguete até detalhes estruturais que só podem ser verificados em campanhas reais de lançamento.
“Toda essa aprendizagem nós absorvemos e agora estamos utilizando nos próximos. Coisas assim que parecem banais, simples, como o diâmetro de um determinado parafuso que vai em uma determinada estrutura, que a gente não poderia ter usado daquele jeito. Pequenos detalhes. Isso aí só se aprende se botar a mão na massa”, disse em entrevista à CNN Basil.
O professor afirma que o programa espacial brasileiro enfrenta desafios estruturais, principalmente a falta de uma indústria nacional de microeletrônica. Muitos componentes usados em satélites não podem ser importados por causa de restrições internacionais, o que limita o desenvolvimento de novos equipamentos.
Outro obstáculo é a infraestrutura de testes, hoje concentrada principalmente no laboratório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos. Segundo ele, ampliar a capacidade de ensaios em universidades e centros regionais ajudaria a acelerar projetos e reduzir custos.
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Fonte : CNN