Enquanto os Estados Unidos enviam mais soldados para o Oriente Médio, analistas internacionais avaliam o real risco de uma invasão terrestre americana em território iraniano. As informações indicam que pelo menos 10 mil fuzileiros navais estariam a caminho da região, além dos contingentes já despachados anteriormente.
Segundo o analista Lourival Sant’Anna, não estão ocorrendo negociações efetivas entre os dois países neste momento. “Não está havendo negociações. A pauta dos Estados Unidos é o contrário da pauta do Irã. Todos os pontos são o contrário um do outro, então é um non-starter, não dá para começar por aí”, explicou.
O especialista destacou que as supostas negociações mencionadas por Donald Trump seriam apenas uma tentativa de maquiar a situação real. Na prática, o que existe são “talks about talks” (conversas sobre como seriam as conversas), intermediadas pelo governo paquistanês.
O cenário é agravado pelo histórico de rompimento do acordo nuclear com o Irã durante o governo Trump, o que minou a credibilidade americana nas negociações.
Tropas de elite e possíveis alvos
Quanto à capacidade militar, Sant’Anna ressalta que os EUA estão enviando unidades de elite, as quais são forças consideradas entre as melhores do mundo. “Quando se fala no mundo militar do emprego dessas unidades, nós estamos falando do emprego daquilo que os americanos têm como maior orgulho de tropas de primeiríssima linha de frente”, afirmou.
Uma operação militar americana provavelmente teria como alvo algumas ilhas pequenas próximas ao Estreito de Ormuz ou terminais de carga na região. Contudo, mesmo com toda a superioridade militar americana, os analistas alertam para os riscos de uma operação em território iraniano. “É difícil imaginar uma operação absolutamente limpa, cirúrgica, sem baixas e com um fim previsível”, advertiu Sant’Anna.
Os iranianos têm demonstrado capacidade de utilizar guerra assimétrica, o que poderia resultar em baixas americanas mesmo diante da disparidade de poder militar. Além disso, uma escalada militar levaria a um prolongamento significativo do conflito, possivelmente até o fim do ano, na melhor das hipóteses.
O cenário é se torna mais complexo pela visão de mundo compartilhada por Trump e Netanyahu, que acreditam que um regime cai quando seu líder é eliminado – uma perspectiva que os analistas consideram equivocada, especialmente no caso do Irã, onde a sucessão de lideranças tem ocorrido sem abalar as estruturas do regime.
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Fonte : CNN