O Tesouro Nacional realizou uma recompra de quase R$50 bilhões em títulos públicos em meio à volatilidade recente dos mercados, em uma tentativa de conter a pressão sobre os juros futuros.
O movimento ocorre em um ambiente de incerteza, com a guerra no Oriente Médio impactando o petróleo, o câmbio e as expectativas de inflação.
Nesse contexto, as taxas de longo prazo passaram a subir com mais força, refletindo o aumento do risco percebido pelos investidores.
Responsável pela emissão desses papéis, o Tesouro costuma realizar leilões frequentes para financiar a dívida pública e administrar seu caixa. Porém, em momentos de maior instabilidade, a atuação muda de direção.
Este e outros assuntos da economia serão abordados no programa e na News da Resenha, newsletter para manter os investidores informados e ajudar na tomada de melhores decisões no mercado.
“Quando todo mundo quer vender, o Tesouro não pode ser mais um competidor. Ele para de ofertar e passa a recomprar títulos para reduzir à volatilidade e dar estabilidade à curva de juros”, explica Marilia Fontes, apresentadora da Resenha do Dinheiro.
Ao recomprar esses papéis, o governo aumenta a demanda, o que eleva os preços e ajuda a aliviar as taxas. Após o anúncio da medida, os juros chegaram a recuar, mas voltaram a subir diante da continuidade das tensões externas.
“O Tesouro é o grande vendedor estrutural. Em momentos de aversão ao risco, quando os investidores também querem vender, ele entra como comprador para dar liquidez e acalmar o mercado”, acrescenta.
Decisão técnica
Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, explica que o mecanismo é semelhante à recompra de ações feita por empresas em períodos de maior turbulência.
“Assim como empresas recompram ações, o Tesouro pode atuar com os títulos públicos para reduzir a volatilidade, embora com objetivos diferentes”, diz.
Para o investidor, o impacto aparece nas oscilações de preço dos titulos, especialmente os prefixados e atrelados à inflação.
“A recompra ajuda a estabilizar o mercado em um momento de alta, o que traz mais previsibilidade no curto prazo”, afirma a apresentadora.
Apesar disso, há limites para esse tipo de atuação. O Tesouro mantém um colchão de liquidez para honrar vencimentos da dívida, e o uso recorrente de recompras pode reduzir esse espaço. Outros países também enfrentam volatilidade nos seus títulos públicos.
“Há um movimento global, com investidores mais cautelosos diante do aumento da incerteza e a perda de confiança dos investidores por títulos públicos americanos”, complementa Pascowitch.
A atuação do Tesouro Nacional nesses momentos é considerada parte do funcionamento normal do mercado em períodos como esse.
“É natural que haja intervenção para garantir o funcionamento do mercado. A taxa de longo prazo é base para toda a economia, então precisa de estabilidade”, finaliza Marilia.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos.
O programa vai abordar semanalmente as principais notícias e movimentos da economia com a leveza de uma conversa informal — como uma resenha entre amigos, no boteco ou após o futebol — mas sem perder a análise e o conteúdo.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.
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Fonte : CNN