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A professora Soledad Palamenta Miller, investigada pelo furto de amostras virais armazenadas no Instituto de Biologia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), possui patente voltada a composições terapêuticas de partículas imunomoduladoras semelhantes a vírus, segundo informações apuradas pela CNN Brasil.

No currículo da professora, há um histórico acadêmico focado em virologia. Durante seu doutorado em Ciências, a pesquisadora desenvolveu nanopartículas biológicas derivadas de capsídeos retrovirais para uso antitumoral, agentes capazes de inibir a propagação de células cancerígenas.

O uso de terapia com nanopartículas direcionadas é um método de tratamento que utiliza estruturas para transportar e liberar medicamentos nas células tumorais, preservando assim os tecidos saudáveis.

Currículo focado em virologia

Com formação inicial em Biotecnologia pela Universidade Nacional de Rosario, concluiu o doutorado em Ciências na própria Unicamp, com foco em fármacos e insumos para a saúde.

Ao longo da carreira, acumulou experiência em projetos estratégicos na área biomédica. Entre 2017 e 2022, trabalhou como analista no Laboratório Nacional de Biociências, participando de pesquisas sobre engenharia de vetores virais, imunomodulação e desenvolvimento de anticorpos monoclonais voltados à terapia contra o câncer.

Na sequência, realizou pós-doutorado no Laboratório de Virologia da Unicamp, com estudos voltados ao desenvolvimento de vacinas vetorizadas e testes rápidos para diagnóstico de doenças, além da criação de modelos alternativos para produção de imunizantes veterinários.

Atualmente, conforme o Currículo Lattes, a professora coordena um laboratório voltado à virologia e biotecnologia aplicada a alimentos, com linhas de pesquisa que envolvem vigilância epidemiológica, desenvolvimento de diagnósticos e terapias, além do uso de vírus que infectam microrganismos para controle microbiano em alimentos.

O que são partículas imunomoduladoras

Segundo o centro médico americano Cleveland Clinic, partículas imunomoduladoras fazem parte de uma classe de substâncias capazes de alterar a resposta do sistema imunológico. Esse sistema é responsável por defender o organismo contra agentes invasores, como vírus, bactérias e até células doentes, incluindo as cancerígenas.

Na prática, essas partículas podem atuar de duas formas principais: estimulando ou reduzindo a atividade imunológica. Quando estimulam, ajudam o corpo a reconhecer e combater ameaças com mais eficiência — estratégia amplamente utilizada, por exemplo, em terapias contra o câncer. Já quando reduzem a resposta imune, são classificadas como imunossupressoras e podem ser usadas em doenças autoimunes, nas quais o organismo ataca suas próprias células.

Esses mecanismos têm aplicação em uma ampla gama de condições, como lúpus, esclerose múltipla, artrite reumatoide e doenças inflamatórias intestinais, além de alguns tipos de câncer, alergias e infecções.

Entre as abordagens mais modernas estão terapias que utilizam anticorpos produzidos em laboratório, vacinas terapêuticas e técnicas que modificam células de defesa para torná-las mais eficazes. Em comum, todas buscam ajustar o funcionamento do sistema imunológico, seja para intensificar a defesa do organismo, seja para evitar reações exageradas ou prejudiciais.

O que se sabe sobre o furto de vírus na Unicamp

A professora Soledad Palamenta Miller, investigada no caso, foi presa em flagrante, mas liberada após audiência de custódia.

De acordo com apurações da CNN, ela teria usado sua posição como docente para conseguir acesso a áreas restritas, com auxílio de uma aluna de mestrado que abriu as portas dos laboratórios.

O desaparecimento das caixas com amostras foi identificado em 13 de fevereiro pelo Laboratório de Virologia Aplicada.

As investigações contam com ajuda da Anvisa, que localizou o material aberto e manipulado, encaminhando-o para análise no Ministério da Agricultura.

A Unicamp nstaurou procedimentos internos para apurar o furto. A medida acompanha as investigações da Polícia Federal.

Em nota oficial, a Reitoria da Unicamp afirmou que colabora integralmente com a PF e a Anvisa, reforçando o compromisso com a responsabilização dos envolvidos.

A professora responde pelos crimes de furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado.

Professora da Unicamp presa por furtar vírus é solta pela Justiça Federal

*Com informações de Beto Souza, da CNN Brasil.

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Fonte : CNN

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