A jogadora Tiffany Abreu se manifestou por meio das redes sociais sobre a nova política de elegibilidade do Comitê Olímpico Internacional (COI), que restringiu a participação de mulheres trans nas Olimpíadas a partir de 2028.
Em publicação no Instagram, a atleta criticou a medida e classificou a decisão como um retrocesso para o esporte.
“Essa notícia é muito triste e representa um grande retrocesso para o esporte”, escreveu Tifanny.
Na sequência, a jogadora ampliou o debate e afirmou que a discussão não se limita às pessoas trans. Segundo ela, a medida atinge todas as mulheres e pode abrir espaço para questionamentos sobre a participação feminina no esporte, inclusive de atletas cisgênero, com base em critérios considerados controversos.
Tiffany também criticou o argumento de proteção ao esporte feminino. Para a atleta, decisões desse tipo reforçam processos de exclusão e colocam em dúvida a presença de mulheres em diferentes contextos, independentemente do desempenho esportivo.
Na avaliação de Tiffany, o debate ultrapassa o desempenho esportivo e envolve o reconhecimento da identidade feminina.
Veja desabafo completo de Tiffanny
Essa notícia é muito triste e representa um grande retrocesso para o esporte.
Muita gente tenta reduzir esse debate a um ataque exclusivo às pessoas trans, mas não é só sobre isso. É sobre mulheres. Sobre todas as mulheres.
Com essas novas regras, muitas atletas podem ser prejudicadas, inclusive mulheres cis, por critérios cada vez mais questionáveis. E isso precisa ser discutido com responsabilidade, não com exclusão.
Existe um discurso de que tudo isso é para “proteger o esporte feminino”, mas na prática a gente vê outra coisa. Quando o assunto envolve pessoas trans, sempre surge uma tentativa de tirar, excluir, questionar sua presença, independentemente do contexto. Tivemos um exemplo claro recentemente com a Erika Hilton, que teve sua identidade questionada ao ponto de tentarem retirá-la de um espaço que é, justamente, de representação das mulheres. Se antes o argumento era “vantagem” ou “força”, nesse caso foi o quê?
Isso mostra que nunca foi só sobre desempenho. É sobre quem é reconhecida como mulher.
Enquanto nós não entendermos que a luta precisa ser por todas, todas as mulheres, sem exceção. Vamos continuar abrindo espaço para decisões que nos dividem e nos enfraquecem. Direitos não podem andar para trás. O mundo não pode regredir. Ou a gente se posiciona agora, ou aceita ver conquistas sendo desmontadas pouco a pouco por uma extrema direita que insiste em excluir, dividir, destruir.
Entenda a nova política do COI
O Comitê Olímpico Internacional (COI) proibiu a participação de mulheres transgêneros nas Olímpiadas após aprovar, nesta quinta-feira (26), uma nova política de elegibilidade para a categoria feminina. A medida passa a valer a partir dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Segundo o COI, a elegibilidade para competições femininas ficará restrita a “mulheres biológicas”, com definição baseada em exame único do gene SRY, localizado no cromossomo Y. A entidade afirmou que a decisão busca “proteger a justiça, a segurança e a integridade” na categoria.
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Fonte : CNN