A guerra no Oriente Médio sustenta as cotações do algodão e pressionam a indústria a utilizar a fibra sintética, isso ocorre pela alta nos custos de produção e inflação sobre a agroindústria, segundo a avaliação de Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, a Abrapa.
Enquanto os preços do algodão sobem, sustentados pela alta do petróleo, a fibra sintética ganha espaço na produção de tecidos e acirra a concorrência com a pluma. Por outro lado, a pressão inflacionária esperada para o médio prazo devido a guerra, diminui a capacidade de compra do consumidor, que também passa a optar por tecidos como o poliéster.
Para Marcelo Duarte a relação entre curto, médio e longo prazo ditam o sentimento do setor, que tende a valorização da matéria prima, mas teme pela queda da demanda global. “A alta dos fertilizantes e combustíveis tem elevado os custos de produção, o que tende a gerar pressão sobre os preços em uma reação sistemática. O mercado do algodão observa o aumento do poliéster em meio a incertezas sobre a oferta global da pluma”, disse.
Embora haja uma reação positiva nos preços do algodão no curto prazo, Duarte alerta para os riscos de médio prazo. “Essa situação gera pressão inflacionária, o que reduz o poder de compra das pessoas e, consequentemente, a demanda por vestuário. Apesar do aumento nominal no valor da pluma, o momento é de preocupação para o setor devido às incertezas e ao aumento sistêmico nos custos de produção e logística”, explica.
A valorização do algodão no mercado internacional encontra sustentação na alta das fibras sintéticas, os seus principais concorrentes. Com o petróleo em patamares elevados, o custo do poliéster sobe, tornando a fibra natural mais competitiva. No entanto, Duarte ressalta que essa alta é uma faca de dois gumes, pois o setor enfrenta o encarecimento de insumos fundamentais. “O algodão vê suporte nos preços devido ao aumento do poliéster e às incertezas sobre a oferta futura, influenciadas pela alta nos fertilizantes nitrogenados, que também possuem origem fóssil”, afirma o diretor.
Para ele, o ganho no preço final da pluma acaba sendo acompanhado por um salto nos custos operacionais: “Os fertilizantes representam uma parte significativa do custo de produção e essa pressão, somada ao frete, impacta diretamente a rentabilidade final do produtor”.
O aumento do custo de transporte, fretes e logística gera incertezas sobre o abastecimento global de commodities e preocupa o setor. A diminuição de margens de faturamento pode implicar em desabastecimento das indústrias e alta sobre cadeias agroindustriais.
Consolidado como o maior exportador mundial de algodão desde 2024, o Brasil se consolida como parceiro estratégico da indústria têxtil asiática. Com uma capacidade produtiva robusta e escala para atender à crescente demanda global, o país promoveu um deslocamento do eixo comercial da commodity.
Além de acompanhar tendências globais, o país passou a ditar o ritmo da oferta global como maior exportador da pluma, que sofre valorização nas bolsas internacionais e assegura a rentabilidade do produtor nacional.
Na avaliação de técnicos do setor, em um cenário de preços voláteis nas bolsas, a capacidade brasileira de oferecer previsibilidade e conformidade socioambiental tem sido o fator determinante para assegurar a rentabilidade do produtor e a preferência das fiações asiáticas.
source
Fonte : CNN