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A seleção francesa convocada para o amistoso contra o Brasil, que ocorre nesta quinta-feira (26), reúne um dado relevante: 17 dos 26 jogadores possuem dupla nacionalidade africana. O número representa cerca de dois terços da lista e reforça a conexão histórica e esportiva entre França e África.

Entre os nomes estão atletas com origens em países como Congo, Mali, Camarões e Argélia. O cenário, segundo especialistas, está ligado à formação multicultural do país e ao impacto da imigração ao longo das últimas décadas no desenvolvimento do futebol local.

“A aceleração da imigração após a criação da União Europeia proporcionou ao futebol francês o que já foi tido no Brasil como o ‘privilégio da miscigenação’ (…)”, analisa Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil.

O executivo afirma ainda que a França se consolidou como referência global e projeta que o país pode formar múltiplas seleções competitivas em nível de Copa do Mundo nas próximas décadas.

A presença de atletas com origem africana não é recente. Desde o título mundial de 1998, com Zinedine Zidane, até o protagonismo de Kylian Mbappé nas campanhas mais recentes, o perfil multicultural segue como característica marcante da equipe.

Nas Copas de 2018 e 2022, a influência foi significativa, com grande parte do elenco composta por jogadores com dupla nacionalidade ou nascidos no continente africano.

Enquanto isso, o Brasil ainda apresenta participação reduzida nesse mercado. Apesar do aumento no número total de estrangeiros — 162 na atual temporada —, apenas quatro atletas africanos estão inscritos na Série A.

Ampliando presença

A diferença é expressiva em relação à França, onde a Ligue 1 conta com 128 jogadores de origem africana, distribuídos entre todos os clubes da competição.

“O futebol está cada vez mais global e conectado (…)”, afirma Alexandre Frota, CEO da FutPro Expo, destacando que o Brasil ainda participa pouco desse fluxo, mas tende a ampliar sua presença nos próximos anos.

Clubes brasileiros começaram a intensificar o monitoramento do mercado africano recentemente, sobretudo nas categorias de base. O Internacional, por exemplo, passou a incluir esse perfil em seu processo de captação a partir de 2023.

“Até 2023, o mercado africano não fazia parte do nosso processo regular de captação (…)”, explica Ricardo Sobrinho, gerente de mercado do clube.

Segundo o dirigente, a principal diferença está no modelo de avaliação. Enquanto atletas sul-americanos são acompanhados por períodos mais longos, jogadores africanos costumam ser analisados em torneios curtos, exigindo decisões mais rápidas.

Mesmo com desafios, o acesso à informação tem ampliado o alcance dos clubes. Plataformas de análise e inteligência artificial também contribuem para mapear talentos e conectar jogadores a oportunidades internacionais.

“Hoje já conseguimos acompanhar melhor atletas de mercados menos tradicionais (…)”, afirma Sobrinho.

Potencial estratégico

Além do aspecto esportivo, especialistas apontam potencial estratégico na relação com o continente africano, incluindo expansão de mercado, audiência e conexão cultural.

“Estamos falando de um público potencial que é até oito vezes maior que o de Portugal (…)”, diz Rômulo Vieira da Silva, diretor de Estratégia e Planejamento da Agência End To End.

A tendência é que o intercâmbio entre Brasil e África se intensifique nos próximos anos, tanto na formação de atletas quanto na exploração de novas oportunidades comerciais dentro do futebol global.

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Fonte : CNN

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