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A Sala de Controle de Lançamento 1, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, testemunhou a decolagem de várias missões históricas do programa Apollo, incluindo aquela, em 1969, que levou seres humanos à Lua pela primeira vez, além do voo inaugural do ônibus espacial Columbia.

No próximo mês, se tudo ocorrer conforme o planejado, uma equipe de controle de lançamento ocupará novamente esse icônico centro nervoso da Nasa — um verdadeiro formigueiro de estações de trabalho e monitores atrás de janelas de vidro inclinadas que oferecem visão direta da plataforma de lançamento — para supervisionar os preparativos finais e o início da missão Artemis II. A missão tem como objetivo enviar quatro astronautas mais longe do que qualquer ser humano já viajou a partir da Terra, como parte do primeiro voo espacial tripulado ao redor da Lua em 50 anos.

É amplamente conhecido que astronautas precisam ter “as qualidades certas”. Eles são selecionados entre milhares de candidatos por suas características e habilidades adequadas às pressões do voo espacial, além da resistência necessária para enfrentar o treinamento rigoroso e as simulações exaustivas que os preparam para qualquer cenário que possam encontrar.

Veja imagens da sala de controle

Mas quem dá suporte aos astronautas da Artemis II enquanto realizam a jornada de 10 dias, com cerca de 1,1 milhão de quilômetros ao redor da Lua, a bordo de um foguete e uma nave que nunca transportaram humanos antes? E o que é necessário para atuar nos bastidores, em funções de alto risco, que mantêm os astronautas seguros e a missão no rumo certo?

“É psicologicamente muito desafiador. As decisões que você toma têm consequências de vida ou morte”, disse Wayne Hale, que atuou como diretor de voo no Centro de Controle de Missões da Nasa, no Centro Espacial Johnson, em Houston, entre 1988 e 2003. Hale participou de 40 missões do ônibus espacial enquanto liderava operações de voo.

Um silêncio intenso

Charlie Blackwell-Thompson, diretora de lançamento do programa Exploration Ground Systems da Nasa, será responsável por conduzir a decolagem da primeira missão tripulada do programa Artemis. Ela assume o comando da contagem regressiva oficial 49 horas e 15 minutos antes do lançamento.

Blackwell-Thompson dará a autorização final a partir da Sala de Controle de Lançamento 1, no Centro Espacial Kennedy, em Merritt Island, próximo a Cabo Canaveral, na Flórida.

Como a primeira mulher a ocupar o cargo de diretora de lançamento da Nasa, Blackwell-Thompson lidera uma equipe que gerencia o abastecimento de propelente e segue os critérios de autorização de lançamento — um conjunto detalhado de regras que determina se o lançamento prossegue ou é adiado. Esses fatores incluem temperatura, vento, cobertura de nuvens e a condição geral do veículo lançador.

Ela comandou as operações de lançamento no fim de 2022 para a Artemis I, a missão não tripulada que realizou uma jornada de 25 dias e meio ao redor da Lua e de volta. O voo de teste preparou o terreno para a aguardada missão tripulada, que pode decolar já em 1º de abril. Com humanos a bordo, a Artemis II promete ser “incrivelmente emocionante”, disse ela. Durante os minutos finais da contagem regressiva, um silêncio intenso toma conta da sala.

“À medida que avançamos pelos marcos da contagem terminal, a sala fica extremamente silenciosa, porque a equipe está focada nos dados, nos sistemas, nas decisões de ‘prosseguir ou não’ e em garantir que estamos prontos para voar”, explicou em episódio de 12 de setembro de 2025 do podcast da Nasa “Houston We Have a Podcast”, referindo-se à verificação final do status do lançamento.

Para o momento do lançamento, Blackwell-Thompson, que trabalha na Nasa há 30 anos, disse manter uma tradição que chama de “verde para prosseguir”, que envolve o uso de um acessório verde específico.

“São pulseiras simples de miçangas que eu coloco”, disse ela no podcast. “É o meu símbolo. Um símbolo para mim mesma e para a minha equipe de que, quando coloco essa pulseira toda manhã, estou dizendo que estou totalmente comprometida. Estou aqui para dar o meu melhor.”

Momentos decisivos

Assim que a contagem regressiva chega a zero e o imponente foguete Space Launch System, transportando a cápsula Orion, decola, Blackwell-Thompson passa o comando para Jeff Radigan, diretor de voo principal da Artemis II no Centro de Controle de Missões, em Houston. Lá, ele e uma equipe de diretores de voo supervisionarão a missão até o retorno da cápsula Orion ao Oceano Pacífico, 10 dias depois.

A equipe treina essa transição com tanta frequência que “parece uma simulação”, disse Rick Henfling, um dos diretores de voo que estará no controle da missão durante o lançamento.

“A única diferença é que, pelo canto do olho, consigo ver em uma das telas que há fogo saindo do foguete”, disse ele à CNN.

Como diretor de voo responsável pela reentrada da Artemis II, Henfling se concentra principalmente no final da missão: garantir que a nave Orion retorne com segurança à Terra.

Nas primeiras quatro horas após o lançamento, a equipe verificará se tudo está funcionando corretamente na nave, que estará levando humanos ao espaço pela primeira vez.

“Fizemos a missão Artemis I em 2022 e obtivemos bons dados sobre a Orion em termos de navegação, controle e propulsão, mas ainda não sabemos exatamente como ela se comportará como nave tripulada”, disse. “Como será a remoção de dióxido de carbono da atmosfera? Como o banheiro vai funcionar?”

Por exemplo, a nave liberará urina no espaço, e os sistemas de orientação precisam garantir que esse processo não afete a trajetória. Da mesma forma, o dióxido de carbono exalado pelos astronautas também será expelido, o que gera uma força sobre o veículo.

“Temos modelos analíticos baseados em computador e nos melhores dados de teste disponíveis, mas até colocar pessoas dentro da nave, no vácuo do espaço, não sabemos exatamente qual será a resposta real”, afirmou Henfling.

Conheça os astronautas que vão participar da missão

Um momento crucial ocorrerá cerca de 24 horas após o lançamento, quando o sistema de propulsão da Orion será acionado para a manobra de injeção translunar, colocando a nave na trajetória para contornar a Lua.

“O grande marco é a decisão da injeção translunar — a nave está funcionando bem o suficiente para enviar quatro pessoas mais longe do que qualquer outra já foi?”

O único momento em que o controle da missão perderá contato com a nave — além de um breve apagão durante a reentrada — será quando a Orion passar atrás da Lua, no sexto dia da missão.

“Toda a nossa comunicação depende de linha de visão com a Terra”, disse Henfling. “É tenso, porque quando não há comunicação, não sabemos exatamente o que está acontecendo.”

Ainda assim, ele destacou que esse período de cerca de 45 minutos será “um momento especial para a tripulação”, com a expectativa de que os astronautas possam capturar uma imagem marcante, semelhante à icônica foto “Earthrise”, registrada em 1968 pelo astronauta da Apollo 8, Bill Anders.

“Se estivermos lidando com algum problema, forneceremos à tripulação as melhores informações possíveis para que possam continuar durante esses 30 a 45 minutos sem comunicação, e estamos confiantes de que, quando a nave reaparecer, retomaremos de onde paramos”, disse.

O diretor de voo não se comunica diretamente com os astronautas de forma rotineira. Essa função cabe ao comunicador de cápsula, ou CapCom, responsável por garantir que a tripulação receba instruções claras e objetivas. O principal CapCom da Artemis II é o astronauta da Nasa Stan Love, que ingressou no corpo de astronautas em 1998 e atuou nessa função em diversas missões do ônibus espacial à Estação Espacial Internacional.

Ajustando o distintivo

Henfling, no entanto, falará com a tripulação no dia anterior ao trecho mais crítico da missão: a reentrada da Orion na atmosfera terrestre e o pouso no Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego.

“Normalmente, quando você ouve o CapCom falando, é algo muito operacional e formal, mas teremos uma conversa mais aberta. A tripulação já terá estudado os procedimentos de reentrada, e esse será um momento para tirar dúvidas em um ambiente mais reservado e menos formal”, explicou.

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Fonte : CNN

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