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A inflação de alimentos registrou alta de 0,88% na prévia de março, de acordo com o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15) divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Entre os itens que mais pressionaram o índice estão o açaí, o feijão carioca e os ovos, enquanto o café e as frutas ajudaram a conter um avanço ainda maior dos preços.

Segundo análise de Felippe Serigatti, pesquisador do FGV Agro, os dados divulgados ainda não refletem os impactos da guerra no Oriente Médio sobre a economia brasileira. O IPCA-15 considera os preços coletados entre os últimos 15 dias de fevereiro e os primeiros 15 dias de março, período em que muitos dos choques externos ainda não haviam chegado de forma efetiva ao mercado nacional.

No caso da carne bovina, Serigatti explica que a alta nos preços está relacionada a fatores anteriores ao conflito. “A China impôs um conjunto de cotas para os seus vendedores de carne bovina no mercado chinês. O Brasil é o grande exportador para aquele mercado, e se seguirmos o mesmo padrão de embarques do ano passado, devemos atingir essa cota na virada do primeiro para o segundo semestre”, afirmou.

 

 

Esse cenário provocou uma corrida dos exportadores brasileiros, que tentam vender o máximo possível antes de atingir o limite estabelecido. “Tivemos uma demanda mais aquecida pela carne bovina brasileira, e isso acabou elevando os preços da pecuária”, explicou Serigatti. Como a carne bovina é a proteína preferida no mercado brasileiro, a alta acaba gerando reflexos em outras proteínas.

Café apresenta queda nos preços

Na contramão da tendência de alta, o café apresentou redução de preço na prévia de março. De acordo com Serigatti, isso se deve principalmente às boas projeções para a safra brasileira. “As projeções estão boas, seja quando comparamos com 2025 ou mesmo com 2024, outro ano de bianualidade da produtividade mais forte”, destacou.

No entanto, o pesquisador alerta que a queda não será suficiente para retornar aos patamares de 2023. “Seja porque a própria inflação corroeu o poder de compra do real, seja porque os estoques ainda estão muito estreitos. Vai precisar de uma ou duas safras bem robustas para que esses estoques passem a operar em patamares mais normalizados”, explicou.

Impactos da guerra ainda por vir

O especialista alerta que os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre a inflação de alimentos ainda devem aparecer nos próximos índices. O principal canal de transmissão imediato não será via fertilizantes, cujo impacto é mais lento e ocorre via produtividade, mas sim pelos combustíveis.

“Preço de combustível bate em todo mundo e bate de maneira rápida. Uma elevação no preço dos combustíveis vai impactar o IPCA, talvez já no mês de março no IPCA cheio. Se não chegar no mês de março, chega em abril, mas vai pegar em todo mundo, inclusive no preço dos alimentos”, concluiu Serigatti.

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Fonte : CNN

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