A ocupação do sul do Líbano por Israel representa um movimento estratégico de alto risco que já está em curso, segundo análise do analista de internacional Lourival Sant’Anna. Durante o CNN Prime Time desta quarta-feira (25), o especialista explicou que as forças israelenses estão destruindo vilarejos inteiros após exigir a retirada da população, seguindo o mesmo padrão de operações realizado na Faixa de Gaza.
O sul do Líbano, que representa apenas 10% do território libanês, tem sido historicamente um ponto de tensão. “É uma região montanhosa, complicada, o Hezbollah tem muito conhecimento da região e há esse vácuo de autoridade do exército libanês que não consegue ocupar porque o Hezbollah é mais forte que o exército”, explicou Sant’Anna.
Histórico de ocupações e consequências
Esta não seria a primeira vez que Israel ocupa o território. Entre 1982 e 2000, forças israelenses permaneceram na região, período em que 1.200 soldados israelenses foram mortos em operações de guerrilha.
Sant’Anna ressalta que o próprio Hezbollah foi formado como resposta à ocupação israelense do sul do Líbano. Anteriormente, em 1978, Israel já havia ocupado a região, retirando-se depois e deixando no local o chamado “exército do sul do Líbano”, uma milícia patrocinada pelos israelenses.
Segundo o analista, declarações de autoridades israelenses indicam planos concretos para uma ocupação prolongada. O ministro da Defesa de Israel avisou que a população não poderá retornar à região, enquanto o ministro das Finanças afirmou que o rio Litani será a nova fronteira entre Líbano e Israel.
O especialista também mencionou que o Irã, em resposta às propostas americanas de cessar-fogo, exige que o Líbano e seus aliados, como o Hezbollah, sejam contemplados em qualquer acordo e não sejam mais atacados. A situação representa um desafio militar, político e financeiro para Israel, além de aumentar as tensões regionais em um momento já crítico para o Oriente Médio.
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Fonte : CNN