Brasil e França se enfrentam nesta quinta-feira (26), às 17h (de Brasília), no Gillette Stadium, em Boston, duelo que colocará frente a frente dois grandes treinadores: Carlo Ancelotti e Didier Deschamps.
Hoje adversários, o italiano e o francês já estiveram do mesmo lado.
Ainda no início da carreira de treinador, Ancelotti assumiu o comando da Juventus em 1999, com a temporada em andamento. Ídolo do Milan, o ex-meio-campista chegou ao clube de Turim sob certa desconfiança dos torcedores, que se acostumaram a vaiá-lo quando era atleta milanista.
Parte dessa desconfiança também tinha origem no desafio de substituir Marcelo Lippi, multicampeão pela equipe, incluindo o título da Champions League na temporada 1995-96.
Um dos pilares da Juventus de Lippi era Didier Deschamps, que já se encaminhava para seus últimos anos como jogador de futebol. Aquele 1999 marcaria justamente sua despedida da Velha Senhora.
Com uma campanha irregular na Serie A, em que terminou apenas no 7º lugar, Deschamps deixou o clube ao fim da temporada e seguiu para o Chelsea.
A saída do meia era um sinal da necessidade de renovação, na qual Ancelotti deveria ter papel ativo como treinador. O italiano, contudo, teve dificuldades em sua experiência à frente do time.
“A Juventus foi uma experiência complicada para mim porque depois de ter trabalhado em um clube como o Parma, que era uma família, trabalhar na Juventus era como trabalhar em uma empresa”, disse Carlo Ancelotti em seu livro “Liderança Tranquila”.
“À parte a mudança cultural, de um ambiente familiar para um corporativo, havia outra razão que explica por que aquele trabalho foi complicado para mim: os torcedores da Juventus me odiavam. Por quê? Porque eu tinha sido jogador da Roma e do Milan. Quando estava dirigindo o Parma, brigamos com a Juventus pelo título do campeonato, então eles realmente me odiavam.”
Em 2001, após uma passagem cujo único troféu foi o da Copa Intertoto, Ancelotti foi demitido da Juventus. Apesar dos insucessos na Velha Senhora, o trabalho na gigante italiana serviu como aprendizado.
“Permaneci na Juventus mais de dois anos até também ser demitido, e fiquei ausente do esporte por outros quatro meses. O arco de liderança na Juventus havia se completado antes que eu estivesse pronto. Na verdade, esse é um arco que provavelmente não deveria nem ter começado, mas me deu uma ideia de como seria estar à frente de um grande clube, que era onde eu queria treinar”, completou.
Deschamps e Ancelotti voltariam a se encontrar como técnicos. O francês, no comando do Olympique de Marseille, enfrentou o italiano tanto no Chelsea quanto no Paris Saint-Germain.
Nesta quinta, os dois estarão frente a frente mais uma vez, às vésperas da Copa do Mundo. Um torneio que Deschamps já conquistou como jogador e como técnico, mas que Ancelotti busca conquistar pela primeira vez.
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Fonte : CNN