Uma quadrilha especializada em fraudar concursos públicos foi alvo de duas operações da Polícia Civil deflagradas nesta quarta-feira (25), que investigam irregularidades em seleções do TJPE (Tribunal de Justiça de Pernambuco) e do TCE-PE (Tribunal de Contas do Estado), realizadas em 2025. Entre os presos estão servidores públicos, incluindo policiais militares de Pernambuco e do Piauí.
Ao todo, foram expedidos 37 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão em Pernambuco e no Rio Grande do Norte. Destes, nove foram cumpridos. Segundo as investigações, candidatos pagavam valores que podiam chegar a R$ 70 mil para garantir aprovação.
No âmbito da operação Kyma, que apura fraudes no concurso do TJPE, o grupo atuava de forma estruturada e contava, inclusive, com infiltração no processo de aplicação das provas. De acordo com o delegado Júlio César, havia uma pessoa que se infiltrava na banca, capturava imagens do conteúdo e repassava para o líder da organização, que distribuía as questões para resolução e depois devolvia os gabaritos aos clientes.
As apurações indicam que o esquema funcionava há cerca de uma década e utilizava diferentes métodos de fraude. Parte dos candidatos recebia respostas por meio de dispositivos eletrônicos, como pontos conectados a celulares adaptados para burlar detectores de metal. Outros tinham acesso prévio ao gabarito e levavam as respostas escondidas para consulta durante a prova.
Ainda segundo o delegado, havia suporte logístico no dia dos exames, com orientação a candidatos sobre como ocultar materiais e consultar respostas sem levantar suspeitas.
A investigação começou no fim de 2025, após denúncias, e contou com cooperação entre a Polícia Civil, a Polícia Federal e outros órgãos. A análise de um grande volume de dados permitiu identificar a origem do vazamento e mapear a atuação do grupo.
Já a Operação Crivo, que apura fraudes no concurso do TCE-PE, teve como ponto de partida a identificação do uso de “clones”, pessoas que realizavam provas no lugar dos candidatos. Esse foi o elemento inicial que levou ao aprofundamento das investigações e à identificação de outros envolvidos no esquema, segundo o delegado Paulo Vitor.
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De acordo com a polícia, também há indícios de participação ativa de alguns candidatos, que não apenas compravam os gabaritos, mas auxiliavam na logística da fraude, seja transportando equipamentos ou captando novos interessados.
Materiais como provas, celulares e mídias digitais foram apreendidos e serão analisados para reforçar as evidências. A polícia apura ainda a possível conexão entre os investigados nas duas operações, já que o modo de atuação é semelhante.
Os suspeitos poderão responder por organização criminosa, fraude em concurso público e lavagem de dinheiro. As investigações seguem em andamento.
Operação Concorrência Simulada
A Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) instaurou investigação preliminar para apurar a conduta do delegado Diogo Gonçalves Bem, da Polícia Civil de Pernambuco. Segundo a SDS, o procedimento está em fase inicial, com verificação de informações e coleta de subsídios para análise de eventuais irregularidades atribuídas ao servidor. O caso segue em tramitação interna.
O delegado é suspeito de financiar um esquema de fraude para beneficiar a esposa no Concurso Nacional Unificado (CNU), realizado em 2024. Ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal na semana passada.
De acordo com as investigações, o delegado teria pago a uma quadrilha para fraudar o Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024, com o objetivo de beneficiar a esposa, que ficou em primeiro lugar para auditora-fiscal do Trabalho e atualmente ocupa o cargo.
A ação foi autorizada pela Justiça Federal na Paraíba, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), no âmbito da terceira fase ostensiva da Operação Concorrência Simulada, deflagrada no dia 17 de março. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa especializada em fraudes em concursos públicos, com núcleo operacional na cidade de Patos, na Paraíba.
Ao todo, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, 13 medidas de afastamento de sigilo telemático e 13 mandados de busca e apreensão nos estados da Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
Esta fase da operação é resultado do aprofundamento das investigações com base no material apreendido na etapa anterior (Operação Última Fase), que apontou a existência de novos integrantes do grupo, além de possíveis beneficiários do esquema.
De acordo com as apurações, a organização atuava de forma estruturada na fraude de concursos de alta concorrência, com destaque para o CNU de 2024, especialmente para o cargo de auditor fiscal do Trabalho. O esquema envolvia, entre outras práticas ilícitas, a obtenção antecipada de provas e o repasse de conteúdos a candidatos.
As investigações continuam com o objetivo de identificar todos os envolvidos e garantir a responsabilização dos participantes, além de preservar a lisura dos concursos públicos. Os investigados podem responder por crimes como fraude em certame de interesse público, participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsificação de documento público.
A CNN entrou em contato com o delegado citado e aguarda retorno.
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Fonte : CNN