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A forte alta nos preços dos fertilizantes em 2026 agravou a relação de troca no campo (quantidade de produto agrícola necessária para adquirir insumos) em comparação com o ano passado, elevando o custo de produção e comprimindo as margens dos produtores rurais no Brasil, segundo relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA.

O movimento é impulsionado principalmente pelo conflito no Oriente Médio, região-chave na oferta global de insumos. A instabilidade elevou rapidamente os preços internacionais, com repasses quase imediatos ao mercado brasileiro.

A ureia, por exemplo, alcançou US$ 710 por tonelada CFR Brasil (custo mais frete) — alta de 50% em 30 dias e de 89% em relação ao ano anterior. O MAP (fosfatado) subiu para US$ 850 por tonelada (+17% no último mês), enquanto o KCl (potássio) permaneceu relativamente estável, ao redor de US$ 383 por tonelada.

Apesar de uma valorização pontual de commodities agrícolas, como soja e milho, o avanço não acompanhou a escalada dos fertilizantes — deteriorando a relação de troca frente a 2025.

Piora generalizada em relação a 2025

Estimativas com base nos gráficos do relatório indicam que, para a soja, a relação de troca atual gira entre 30 e 35 sacas por tonelada de MAP, acima do intervalo observado em 2025, que se situava mais próximo de 25 a 30 sacas. Para o KCl, a relação passou de cerca de 18 a 22 sacas no ano passado para os atuais 20 a 25 sacas. No caso da ureia, o salto foi de aproximadamente 28 a 32 sacas in 2025 para 35 a 40 sacas em 2026.

No milho, a deterioração é ainda mais evidente. A relação de troca do MAP subiu de cerca de 40 a 50 sacas por tonelada em 2025 para 50 a 60 sacas atualmente. Para o KCl, o avanço foi de 35 a 45 para 40 a 50 sacas, enquanto a ureia passou de aproximadamente 50 a 60 para 60 a 70 sacas por tonelada.

Entre os produtores de café, a troca também piorou. O MAP, que girava em torno de 2,5 a 3,5 sacas por tonelada em 2025, agora está entre 3,5 e 4,5 sacas. A ureia avançou de cerca de 3 a 4 para 4 a 5 sacas, enquanto o KCl passou de aproximadamente 2,5 a 3,5 para 3 a 4 sacas.

Na pecuária, o boi gordo também perdeu poder de compra. A relação com MAP subiu de cerca de 12 a 15 arrobas por tonelada in 2025 para 14 a 18 arrobas em 2026. Para ureia, o avanço foi de 14 a 17 para 16 a 20 arrobas, enquanto o KCl passou de aproximadamente 9 a 12 para 10 a 14 arrobas.

No setor sucroenergético, a deterioração segue a mesma tendência. A relação com MAP subiu de cerca de 2,0 a 2,5 toneladas de açúcar VHP por tonelada de fertilizante em 2025 para 2,5 a 3,0 atualmente. Para ureia, avançou de aproximadamente 2,2 a 2,7 para 2,5 a 3,1, enquanto o KCl saiu de cerca de 1,8 a 2,2 para 2,0 a 2,5.

Pressão sobre custos e decisões no campo

A piora da relação de troca indica que o produtor rural precisa entregar uma quantidade maior de sua produção para adquirir os mesmos insumos, reduzindo sua capacidade de investimento e aumentando a exposição ao risco.

O cenário pode levar a ajustes no uso de fertilizantes, revisão de estratégias de plantio e maior cautela na próxima safra.

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Fonte : CNN

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