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A decisão da Anglo American de deixar o negócio de níquel e concentrar esforços em minério de ferro de alto teor, cobre e fertilizantes foi uma escolha “estratégica” de portfólio, segundo a CEO da empresa no Brasil, Ana Sanches.

Em entrevista ao programa Mapa da Mina, da CNN Infra, a executiva afirmou que o grupo vem, há alguns anos, redesenhando sua atuação global para reduzir o número de commodities no portfólio e concentrar capital em frentes vistas como mais aderentes à estratégia de longo prazo da empresa.

“A nossa estratégia há alguns anos era ser uma empresa diversificada, tínhamos várias commodities. Houve uma decisão estratégica do grupo em simplificar o portfólio, reduzir o número de commodities, focando em ativos de cobre, minério de ferro de alto teor e fertilizantes”, disse.

Ana Sanches é a primeira entrevistada do Mapa da Mina, programa semanal do CNN Money que discute os rumos da indústria de mineração e estreia nesta quarta-feira (25), às 19h45.

Segundo a executiva, a aposta no cobre tem relação direta com o papel do metal na eletrificação da economia.

“A decisão da Anglo de focar nessas três foi uma decisão realmente de portfólio estratégico, apostando no cobre como um mineral extremamente relevante para o futuro da eletrificação”, afirmou.

Venda dos ativos de níquel

Em fevereiro de 2025, a Anglo acertou a venda de toda a sua operação de níquel no Brasil para a MMG Singapore Resources, subsidiária da MMG, companhia controlada pela estatal chinesa China Minmetals.

O acordo pode chegar a US$ 500 milhões e envolve os ativos operacionais de ferroníquel de Barro Alto e Codemin, ambos em Goiás, além dos projetos Morro Sem Boné, no Mato Grosso, e Jacaré, no Pará.

O fechamento da operação, porém, ainda depende do processo antitruste na Europa. A própria Anglo informou, em seu relatório de produção do quarto trimestre de 2025, que a venda do negócio de níquel segue em tramitação na aprovação concorrencial da Comissão Europeia.

A análise ganhou peso adicional depois de Bruxelas abrir, em novembro de 2025, uma investigação aprofundada para avaliar se a operação poderia desviar oferta de ferroníquel para fora do mercado europeu e prejudicar as siderúrgicas do bloco.

A saída acontece em um momento ainda desafiador para o mercado de níquel.

O metal vem sendo pressionado por excesso de oferta global, especialmente com a expansão da produção da Indonésia, enquanto parte da demanda ligada a baterias perdeu força relativa com o avanço de químicas que usam menos níquel.

Demanda global por cobre

Do outro lado dessa reconfiguração está o cobre, hoje tratado por governos, mineradoras e organismos internacionais como um dos minerais mais críticos para a transição energética.

Isso porque ele é insumo central para a condução em redes elétricas, motores, veículos elétricos, sistemas de armazenamento e infraestrutura de energia.

A IEA (Agência Internacional de Energia) projeta que, no cenário de políticas atuais, a demanda por cobre cresça cerca de 30% até 2040, impulsionada principalmente pela eletrificação das redes, da indústria e dos transportes.

A agência também alerta que o risco de aperto na oferta de cobre é preocupante, diante da queda dos teores minerais, do aumento dos custos de projetos e da desaceleração nas novas descobertas.

No caso do minério de ferro, o foco da Anglo no Brasil está no Minas-Rio, operação integrada entre mina, usina, mineroduto e terminal portuário no Porto do Açu, voltada à exportação.

A empresa produz minério de ferro premium, usado pela siderurgia e valorizado por clientes que buscam reduzir emissões no processo de produção de aço.

Em 2025, o sistema produziu 24,8 milhões de toneladas, acima da estimativa anterior do grupo, e a companhia elevou a projeção para 2026 e 2027 para uma faixa entre 24 milhões e 26 milhões de toneladas.

A qualidade do produto é um dos principais ativos da empresa nessa frente.

A Anglo têm reforçado que o pellet feed (minério de ferro de altíssima qualidade e teor) do Minas-Rio atende a uma demanda crescente da indústria siderúrgica por minérios mais adequados à descarbonização.

Questionada sobre a possibilidade de diversificar para um dos segmentos que mais têm atraído atenção no Brasil, o de terras raras, a executiva afirmou que “não há nenhuma previsão hoje de investimento em terras raras” pela Anglo.

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Fonte : CNN

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