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A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, entregou a renúncia de seu governo de coalizão nesta quarta-feira (25), após sofrer uma grande derrota nas eleições, mas ainda pode se tornar líder de um novo gabinete nas próximas semanas.

Os analistas afirmam que os eleitores estão revoltados em relação às promessas econômicas não cumpridas pelo governo centrista e que o eleitorado estava cansado de Frederiksen como líder após sete anos no poder.

O Partido Social Democrata da premiê teve seu pior resultado eleitoral desde 1903 na terça-feira (24), conquistando apenas 38 cadeiras no Parlamento de 179 assentos, em meio às preocupações dos eleitores com o meio ambiente, a crise do custo de vida e o Estado de bem-estar social.

Segundo analistas, essas questões de política interna ofuscaram o apoio que a primeira-ministra recebeu após adotar uma postura desafiadora diante das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anexar a Groenlândia.

“Essa perda foi maior do que se poderia explicar apenas pelo custo de governar”, disse Rune Stubager, cientista político da Universidade de Aarhus.

Stubager atribuiu a derrota a decisões econômicas polêmicas, como o cancelamento de um feriado público, cortes de impostos para pessoas de alta renda e uma proposta de última hora para introduzir um imposto sobre fortunas.

A votação refletiu uma tendência mais ampla de os eleitores se afastarem dos partidos centristas em direção a alternativas anti-imigração e de esquerda. Os partidos nacionalistas de direita aumentaram sua parcela de votos para 17%, de 14,4% em 2022, enquanto o Partido Verde de Esquerda também ganhou espaço.

O Partido Popular Dinamarquês, que é contra a imigração, também aproveitou as preocupações com a inflação e o custo de vida, prometendo reduzir os impostos sobre os combustíveis e organizando eventos de campanha oferecendo gasolina com desconto aos motoristas, disse Stubager.

Embora as duras políticas de imigração de Mette Frederiksen tenham permanecido amplamente alinhadas com o sentimento dos eleitores, a agenda econômica doméstica teve mais peso na eleição, segundo os analistas.

Apesar da derrota, os social-democratas continuaram a ser o maior partido da Dinamarca, com 21,9% de apoio, o que significa que Frederiksen tem boa chance de retornar para um terceiro mandato como primeira-ministra, embora somente após difíceis e longas negociações de coalizão.

“Esse é o paradoxo da eleição, o fato de que a grande perdedora, Mette Frederiksen, a primeira-ministra, também é a favorita para se tornar a próxima primeira-ministra”, disse o analista político Noa Redington.

O bloco de esquerda, do qual Frederiksen faz partem garantiu 84 assentos no Parlamento, um pouco à frente dos 77 assentos do bloco de direita. Sendo assim, nenhum lado conseguiu os 90 assentos necessários para formar maioria. O Partido Moderado, de centro, liderado pelo ministro das Relações Exteriores, Lars Lokke Rasmussem, conseguiu 14 cadeiras.

Nesta quarta-feira (24), os líderes do partido terão reuniões individuais com o rei para sugerir um candidato para a primeira tentativa de formar um governo.

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Fonte : CNN

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