A produtividade média de soja no Brasil deve se situar em 62,7 sacas por hectare para a safra 2025/2026. A estimativa é da empresa de consultoria Agroconsult, que projeta uma produção de 184,7 milhões de toneladas para o período, uma alta de 11,5 milhões de toneladas em relação a 2024/2025.
Para André Pessôa, CEO da Agroconsult, a alta da produção é sustentada pela recuperação das lavouras em algumas regiões produtoras. “Mais da metade do crescimento vem da recuperação das produtividades do Mato Grosso e Rio Grande do Sul. O Rio Grande do Sul ainda tem uma safra que deixa a desejar, mas contribui significativamente com o crescimento da estimativa”, disse.
Na safra passada o estado registrou uma produtividade média de 37 sacas por hectare e teve a safra frustrada por perspectivas climáticas negativas. Em março de 2026, o cenário era mais positivo e a estimativa subiu para 48,7 sacas por hectare.
Quanto à área plantada no País, a Agroconsult projeta um avanço para 49,1 milhões de hectares, com incremento de 933 mil hectares em relação à estimativa de março. Em relação à última safra, o Centro-Oeste teve o maior ganho de área, seguido pelo Nordeste, Sudeste e Norte. O Sul apresentou redução da área plantada em função da diminuição de investimentos, movimento desencadeado por preocupações com a questão climática.
André Debastiani, coordenador geral do Rally das Safras, expedição agrícola que visita lavouras em diversas regiões produtoras, destacou que a regularização das chuvas demorou a acontecer nesta safra. “As produtividades foram afetadas por chuvas intensas ao longo de fevereiro, isso trouxe dificuldades para a colheita e prejudicou algumas áreas. Ainda assim, o bom resultado das lavouras precoces contribui para um maior número e maior peso de grãos por hectare”, afirmou.
O atraso do plantio também foi prejudicial à produtividade de algumas lavouras que foram colhidas com muita chuva, como no caso do estado de Goiás. Por outro lado, a Bahia foi o estado que mais surpreendeu em termos de resultado e registrou a maior produtividade média do Brasil com 70,3 sacas por hectare.
Debastiani destaca as mudanças observadas na produção do estado. “Cada vez mais, a Bahia migra para um sistema de produção parecido com o Mato Grosso, onde você entra com a soja em áreas irrigadas e logo depois com o algodão”, afirmou.
Safra de inverno
A segunda safra de milho já está plantada e, alguns estados, registraram redução da área plantada em função dos atrasos. Para a segunda safra, a estimativa é de que a área de cultivo se situe em 22,9 milhões de hectares de milho, uma alta de 2,7% em relação a estimativa anterior. A produção do milho segunda safra deve atingir 141,6 milhões de toneladas, em queda de 6,2%.
Para André Debastiani, o volume de chuvas nas principais regiões produtoras será crucial para uma boa produtividade. “Se chover bem em abril, a grande parte das lavouras vai performar, mas regiões como Goiás e Minas Gerais ainda precisam de chuvas em maio e em junho”, afirmou.
A Agroconsult já percorreu 60 mil quilômetros com equipes distribuídas no campo para a análise e coleta de dados acerca das safras de soja e milho. Em maio e junho, seis equipes percorrerão as lavouras de milho segunda safra. As áreas visitadas respondem por 97% da área total de produção de soja e 72% da área de milho.
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Fonte : CNN