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O ministro Alexandre de Moraes já foi vítima, investigador e julgador dos fatos envolvendo Jair Bolsonaro (PL). Agora, na condição de carcereiro, mandou o condenado para prisão domiciliar.

Os médicos atestaram o delicado estado de saúde do ex-presidente e seus óbvios riscos — entre eles, os riscos políticos. Mito encarcerado é uma coisa. Mártir, vítima de crueldade persecutória, é outra.

Mas a crise não foi junto de Bolsonaro tratar-se em casa. O problema do Supremo Tribunal Federal agora não é mais o que fazer com Bolsonaro. O problema hoje, para o Supremo, é o que fazer dentro do próprio Supremo.

O tribunal vai votar, em plenário, se mantém ou não a liminar do ministro André Mendonça, prorrogando os trabalhos da CPMI que investiga o escândalo do INSS. Se for prorrogada, a medida fragiliza tremendamente a figura do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, dado o envolvimento de auxiliares próximos no próprio escândalo.

Alcolumbre é considerado um importante aliado político pela ala do Supremo em torno de Alexandre de Moraes, por sua recusa em levar adiante pedidos de impeachment de ministros.

Fragilizar o presidente do Senado é fragilizar uma parte do Supremo, que já é visto hoje como uma instituição dividida entre os que querem investigar tudo — inclusive como forma de livrar o STF da atual crise de credibilidade — e os que não pretendem que muita coisa seja investigada, por razões políticas, pessoais ou ambas.

Não é pelo que faz ou deixa de fazer com Bolsonaro que o Supremo trará consequências políticas para as próximas eleições. É pelo que fará consigo mesmo.

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Fonte : CNN

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