O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, deverá presidir uma reunião de emergência sobre as consequências econômicas da guerra no Irã nesta segunda-feira (23), com a presença da ministra das Finanças, Rachel Reeves, e do governador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, informou o governo.
Os investidores se preparam para mais uma semana turbulenta nos mercados financeiros depois que o Irã afirmou que atacaria os sistemas de energia e água de seus vizinhos do Golfo se o presidente dos EUA, Donald Trump, cumprir a ameaça de atingir a rede elétrica iraniana.
O Reino Unido observa a situação com particular preocupação. A forte dependência do país em relação ao gás natural importado, a inflação persistentemente alta e as finanças públicas sobrecarregadas levaram seus títulos do governo a uma queda muito mais acentuada do que a de seus pares internacionais.
“Os temas que deverão ser abordados incluem o impacto econômico da crise nas famílias e empresas, a segurança energética e a resiliência da indústria e das cadeias de suprimentos, juntamente com a resposta internacional”, disse o Ministério das Finanças britânico antes da chamada reunião “COBRA” de segunda-feira.
A ministra das Relações Exteriores, Yvette Cooper, e o secretário de Energia, Ed Miliband, também estarão presentes, assim como Starmer, Reeves e Bailey.
Reeves afirmou que é muito cedo para dizer qual será o impacto da guerra na economia britânica e resistiu aos apelos por medidas abrangentes de apoio ao custo de vida para as famílias, dizendo, em vez disso, que um apoio mais direcionado está sendo considerado.
A inflação deverá disparar.
O choque nos preços da energia ameaça elevar novamente a taxa de inflação do Reino Unido – possivelmente para 5% ainda este ano, segundo alguns economistas – e representar mais um revés para a economia de crescimento lento.
Isso também poderia desviar Reeves de seus esforços para sanear as finanças públicas, caso a alta dos preços do petróleo e do gás se mantenha e sejam necessárias grandes medidas de apoio, possivelmente levando a mais aumentos de impostos ainda este ano.
Na semana passada, o governo lançou um pacote de 53 milhões de libras para residências que utilizam óleo de aquecimento para gerar calor.
Mas a pressão por medidas mais abrangentes aumentou a inquietação dos investidores do mercado de títulos.
Na sexta-feira (20), os custos dos empréstimos do governo britânico a 10 anos ultrapassaram os 5% pela primeira vez desde a crise financeira global de quase 20 anos atrás.
Até a semana passada, a maior parte das perdas estava confinada aos títulos do governo de curto prazo, que acompanham em grande parte as expectativas de taxas de juros.
As apostas sobre o próximo passo do Banco da Inglaterra mudaram drasticamente para aumentos nas taxas de juros e se afastaram dos cortes que eram esperados até a véspera da guerra.
Na semana passada, o banco central afirmou estar pronto para agir a fim de manter a inflação em sua meta de 2%. Alguns membros do comitê de política monetária disseram que um aumento nas taxas de juros poderia ser necessário, mas Bailey afirmou ser prematuro dizer que as taxas teriam que subir.
A venda massiva de títulos de longo prazo, bem como de dívida de curto prazo, sugere que os investidores estão começando a precificar a vulnerabilidade fiscal da Grã-Bretanha ao choque do preço da energia.
“Os acontecimentos do fim de semana indicam que estamos entrando em uma nova e muito perigosa fase para os mercados financeiros”, disse Neil Wilson, estrategista de investimentos do Reino Unido na Saxo Markets, em Londres.
“A variação nos rendimentos dos títulos na semana passada foi significativa e já aumentou a tensão nos mercados financeiros. Os mercados estão precificando uma resposta do banco central”.
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Fonte : CNN