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A atividade econômica do Brasil tem operado em níveis aquecidos nos últimos anos, com o desemprego em patamar historicamente baixo e a inflação dentro do intervalo de tolerância definido pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Apesar da fotografia, o filme revela sinais de alerta.

Um deles é o endividamento das famílias, que já compromete quase 30% da renda dos brasileiros. Desse total utilizado para pagar as dívidas, 10,4% é referente ao pagamento de juros, maior patamar em pelo menos 20 anos. Outra parte do orçamento familiar, 18,81%, vai para honrar o principal, segundo dados do BC (Banco Central)

 

O número referente a dezembro do ano passado é o mais atualizado e também o maior patamar da série histórica do BC, que começou em 2005. Ou seja, o país lida com o maior nível de endividamento das famílias em pelo menos duas décadas.

Para especialistas, a taxa básica de juros, a Selic, é um dos principais responsáveis pelo diagnóstico. Em entrevista à CNN, a professora de macroeconomia do Insper, Juliana Inhaz, disse que o cenário atual é delicado.

“Temos vários desdobramentos, tem claro esse impacto de curto prazo que é o que a gente já sente hoje, é um custo maior de uma forma generalizada, o que faz com que muitas famílias acabem ficando muito endividadas, acabem caindo numa situação de inadimplência“, afirma.

Apesar da decisão do Banco Central de reduzir os juros em sua última reunião, a Selic segue elevada, a 14,75% ao ano, maior nível também em pelo menos 20 anos.

A análise se materializa ao observar os números. Entre o final do ano passado e janeiro deste ano, a inadimplência dos consumidores atingiu 6,9%, acima dos 5,6% registrados há um ano.

O maior vilão dessa história é o cartão de crédito. Excluindo o crédito rural e imobiliário, os juros rotativos lideram o calote das famílias, com inadimplência de 63,5% em janeiro, seguido pelo cheque especial (16,5%) e o cartão parcelado (13%).

Inhasz afirma que existe um impacto direto dos juros no custo dos financiamentos. “Todo mundo que precisa hoje pegar emprestado para consumir, precisa financiar um imóvel ou tem um plano de vida que, de alguma forma, precisa entrar em algum tipo de financiamento, de empréstimo, está mais caro”, explica.

Em fevereiro, uma pesquisa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), apontou que 80,2% das famílias brasileiras possuem alguma dívida. O número representa o maior nível de endividamento de toda a série histórica da pesquisa feita mensalmente pela Confederação, que se iniciou em 2010.

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Fonte : CNN

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