O presidente colombiano, Gustavo Petro, negou na sexta-feira (20) ter qualquer ligação com grupos de narcotráfico, após notícias na mídia sobre possíveis investigações nos Estados Unidos contra ele por esse motivo. Enquanto isso, a Embaixada da Colômbia em Washington afirmou não ter recebido nenhuma notificação sobre qualquer possível investigação.
“Na Colômbia, não há uma única investigação sobre meu relacionamento com narcotraficantes, por um motivo simples: nunca na minha vida falei com um narcotraficante. Pelo contrário, dediquei dez anos da minha vida, correndo grande risco pessoal e até forçando minha família ao exílio, a denunciar as ligações entre os narcotraficantes mais poderosos e políticos no Congresso da República e nos governos locais e nacionais com esses narcotraficantes durante o que chamo de era do governo paramilitar”, escreveu Petro em sua conta na rede social X.
Em sua publicação, Petro citou uma publicação de um veículo de mídia colombiano, que por sua vez fazia referência a um artigo do The New York Times que relatava que, segundo fontes, pelo menos dois escritórios de procuradores federais dos EUA estavam investigando os possíveis vínculos de Petro com o narcotráfico, especificamente encontros com criminosos e doações para sua campanha presidencial.
Em resposta, o governo colombiano, por meio de sua Embaixada nos Estados Unidos, rejeitou o relatório, argumentando que ele é “baseado em fontes anônimas e carece de comprovação”.
“Nenhuma autoridade competente (dos EUA) emitiu qualquer determinação ou notificação formal, nem confirmou as alegações mencionadas no relatório. As insinuações nele contidas carecem de qualquer fundamento legal ou factual”, afirmou a Embaixada em um comunicado à imprensa publicado no X.
https://t.co/r085MPKdQE pic.twitter.com/wDj86H3BFu
— Gustavo Petro (@petrogustavo) March 20, 2026
A Embaixada reiterou a posição de Petro, afirmando que o presidente “confrontou o crime de forma consistente e inequívoca, tanto na Colômbia quanto durante seus anos de exílio, para o qual foi forçado após denunciar atos ilícitos”.
A CNN contatou o Departamento de Justiça dos EUA para comentar o caso e aguarda uma resposta.
A resposta às alegações contra Petro surge em um momento em que a Colômbia e os Estados Unidos estão se aproximando após um período de relações tensas.
Na semana passada, Petro e o presidente dos EUA, Donald Trump, conversaram por telefone por quase meia hora. A ligação, a segunda entre os dois líderes desde que Trump retornou à Casa Branca em janeiro de 2025, focou na cooperação energética, nos esforços para combater o narcotráfico e na situação na Venezuela.
Essa ligação ocorreu após meses de tensão entre Washington e Bogotá, durante os quais Trump chegou a chamar Petro de chefão do narcotráfico, acusação que o presidente colombiano negou repetidamente.
Após um período marcado por insultos públicos, o fim da ajuda financeira à Colômbia, ameaças de sanções e atritos diplomáticos, Petro e Trump tiveram sua primeira conversa telefônica em 7 de janeiro deste ano.
Essa primeira conversa ocorreu poucos dias após uma operação militar dos EUA em Caracas que culminou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, a quem Washington acusa de narcoterrorismo, tráfico de drogas e posse de armas. Maduro nega qualquer irregularidade e tem comparecimento marcado em tribunal em Nova York na próxima semana.
Durante esse contato inicial em janeiro, Trump e Petro concordaram em restabelecer canais de comunicação direta, abrindo caminho para uma reaproximação diplomática após meses de deterioração das relações bilaterais.
Quase um mês depois, na terça-feira, 3 de fevereiro, os presidentes finalmente se encontraram pessoalmente em Washington. Ambos descreveram o encontro como “muito bom” e disseram que saíram com uma “sensação de otimismo”.
source
Fonte : CNN