O governo federal conseguiu colocar “panos quentes” na tensão com os caminhoneiros e evitar uma possível paralisação da categoria, segundo análise feita por Isabel Mega durante o Bastidores CNN desta sexta-feira (20). A articulação foi liderada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que confirmou que receberá representantes dos caminhoneiros na próxima quarta-feira (25).
“Realmente houve mais habilidade do que o governo Temer teve lá em 2018 para fazer essa negociação”, destacou Mega, afirmando que a preocupação dentro do governo realmente existiu. A greve daquele ano provocou efeitos em cadeia em diferentes setores econômicos e no cotidiano dos brasileiros, demonstrando o poder de pressão da categoria.
A tensão foi tão significativa que o tema apareceu em pelo menos dois discursos públicos de Lula. Primeiro, quando mencionou que “há pessoas querendo lucrar com essa situação” e, posteriormente, quando garantiu que os caminhoneiros não seriam prejudicados.
“Quando as sinalizações aparecem ao ponto de chegar nos discursos públicos do Presidente da República é porque o ‘calo apertou’, é porque o Planalto sentiu necessidade de dar respostas públicas diante de uma crise que poderia ser iminente e muito prejudicial”, observou a analista.
Entre as principais medidas anunciadas pelo Ministério dos Transportes estão a fiscalização eletrônica do preço da tabela do frete, uma das principais queixas dos caminhoneiros, que alegavam que a lei existente não era devidamente fiscalizada. Além disso, o governo mobilizou a Polícia Federal para investigar possíveis cartéis de combustíveis.
O governo também encontra dificuldades na articulação com os estados sobre o preço dos combustíveis, já que não tem controle direto sobre as decisões estaduais nessa área. “Até aqui, a avaliação é de que eles estão conseguindo colocar ‘panos quentes’ em relação a essa crise”, reforçou Mega.
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Fonte : CNN