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Os preços do petróleo oscilam nesta sexta-feira (20), mas permanecem acima de US$ 100, com infraestruturas energéticas no Oriente Médio danificadas e o Estreito de Ormuz ainda em grande parte fechado.

O Goldman Sachs apontou que os preços mais altos podem persistir até 2027.

Por volta das 12h40, pelo horário de Brasília, o petróleo Brent de maio subia 0,65%, para US$ 109,35 o barril, após ter chegado a US$ 110 no início do dia. O petróleo WTI, referência nos EUA, de maio, subia 1,12%, a US$ 96,62.

“A persistência de vários grandes choques de oferta anteriores reforça o risco de que os preços do petróleo possam permanecer acima de US$ 100 por mais tempo em cenários de risco com interrupções mais prolongadas e grandes perdas persistentes de oferta”, escreveram analistas do Goldman Sachs em nota divulgada na quinta-feira (19).

Os preços do petróleo bruto americano e do Brent divergiram ligeiramente esta semana, após o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter trabalhado para aumentar a produção nos EUA. Os Estados Unidos são o maior produtor de petróleo do mundo, o que protege o país de parte dos recentes impactos causados pela guerra com o Irã, observaram analistas do Deutsche Bank nesta sexta-feira (20).

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país acataria o apelo do presidente Trump para não repetir os ataques a importantes instalações de produção de energia no Irã. O ataque israelense ao campo de South Pars, no Irã, desencadeou a retaliação iraniana contra Ras Laffan, no Catar, a maior instalação de gás natural liquefeito do mundo, o que fez com que os preços do petróleo disparassem no início desta semana.

Trump também procurou tranquilizar os americanos que enfrentam os preços da gasolina mais altos em quase dois anos e meio, dizendo que “isso vai acabar muito em breve”. Ele acrescentou que, antes de Israel e os Estados Unidos iniciarem a guerra contra o Irã, ele achava que os preços seriam “muito piores”.

Os preços da gasolina nos EUA subiram mais 3 centavos de dólar por galão durante a noite, chegando a uma média de US$ 3,91 nesta sexta-feira (20), segundo a Associação Automobilística Americana (AAA). Esse é o preço médio mais alto por galão de gasolina comum desde 13 de outubro de 2022.

Sem perspectiva de fim do conflito

Aproximando-se da quarta semana, o conflito não dá sinais de que está chegando ao fim. Países do Oriente Médio relataram ter interceptado drones e mísseis logo ao amanhecer desta sexta-feira (20).

O Estreito de Ormuz — uma passagem marítima entre o Irã e Omã — está efetivamente fechado há 19 dias, interrompendo o fluxo de 20% do fornecimento mundial de petróleo.

Uma fonte de segurança iraniana de alto escalão disse à CNN na quinta-feira (19) que o Estreito “não retornará às condições pré-guerra”, reiterando ameaças anteriores de que a via navegável seria interrompida caso o Irã fosse atacado.

Com o Estreito praticamente bloqueado por quase três semanas, o Goldman Sachs prevê que os preços do petróleo provavelmente continuarão subindo. O banco alertou que o preço do Brent, referência internacional, poderá ultrapassar a máxima histórica, registrada em 2008, de cerca de US$ 147 por barril, caso as interrupções no fornecimento se prolonguem.

No pior cenário, o banco estimou que os preços do Brent chegariam a cerca de US$ 111 por barril no quarto trimestre de 2027, se o fornecimento de petróleo pelo Estreito permanecesse muito baixo por mais de dois meses e a produção se mantivesse em 2 milhões de barris por dia após a reabertura.

O cenário mais favorável, segundo o Goldman Sachs, prevê uma recuperação gradual do fluxo de petróleo pelo Estreito a partir de abril, levando o preço do Brent para a faixa dos US$ 70 até o quarto trimestre de 2026.

A QatarEnergy, operadora estatal de Ras Laffan, já informou que os ataques com mísseis reduziram a capacidade de exportação de gás natural liquefeito do país em 17% e que a recuperação pode levar até cinco anos, impactando o fornecimento para os mercados da Europa e da Ásia.

Pressão para reduzir os preços

Para combater o aumento dos preços da gasolina, o governo Trump está considerando diversas opções.

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, sugeriu a remoção das sanções ao petróleo iraniano já em alto-mar, em uma tentativa de reduzir os preços do petróleo – o que poderia significar reforçar os cofres de guerra de um inimigo dos EUA.

Mas a Casa Branca descartou, até o momento, a imposição de uma proibição às exportações de petróleo bruto e gás como uma possível forma de aliviar a alta dos preços da energia, compartilhou um funcionário do governo à CNN.

Como parte de uma liberação emergencial histórica de petróleo, acordada por 32 países membros da Agência Internacional de Energia no início deste mês, os Estados Unidos se comprometeram a liberar mais de 172 milhões de barris de petróleo bruto de reservas.

Trump também pediu publicamente o apoio dos aliados dos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz.

O Reino Unido enviou um pequeno contingente de planejadores militares para trabalhar com os Estados Unidos na elaboração de um “plano coletivo viável”, afirmou um oficial da defesa britânica. Outros parceiros dos EUA, no entanto, disseram que é improvável que enviem recursos militares para o Estreito em meio às hostilidades em curso.

*Frederik Pleitgen, Mohammed Tawfeeq, Jennifer Hansler, Olesya Dmitracova e David Goldman, da CNN, contribuíram com esta matéria

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Fonte : CNN

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