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Em função da escalada da guerra no Oriente Médio, a ABPA, (Associação Brasileira de Proteína Animal) pediu ao governo federal ajuda para mitigar as perdas financeiras decorrentes dos impactos logísticos e fluxos de comércio de alimentos.

A entidade que representa os setores exportadores de carne de frango, carne suína, ovos e material genético avícola do Brasil enviou uma solicitação ao Ministério da Fazenda pedindo mecanismos de apoio ao capital de giro das empresas exportadoras.

“Entendemos ser oportuno avaliar a adoção de instrumentos extraordinários de apoio
financeiro às exportações, voltados especificamente à mitigação de impactos logísticos temporários
decorrentes de eventos geopolíticos excepcionais. Iniciativas semelhantes já foram adotadas pelo
Governo Federal em momentos anteriores de elevada volatilidade internacional, como no âmbito de
programas de estímulo ao crédito e à liquidez para setores estratégicos da economia”, diz o texto.

Entre as possibilidades que poderiam ser avaliadas, destacam-se:

  1. criação ou ampliation de linhas de crédito emergenciais para capital de giro, voltadas a
    empresas exportadoras de alimentos;
  2. alongamento de prazos e flexibilização de condições em operações de financiamento
    vinculadas ao comércio exterior;
  3. disponibilização de linhas de pré-embarque e pós-embarque com condições diferenciadas, por
    meio de bancos públicos ou instrumentos de fomento às exportações;
  4. eventuais mecanismos de mitigação de risco logístico ou financeiro, que contribuam para
    preservar a competitividade das exportações brasileiras.

Segundo a entidade, o objetivo das medidas é assegurar liquidez temporária às empresas exportadoras, permitindo que o setor mantenha o fluxo regular de embarques enquanto se reorganizam as rotas logísticas internacionais.

“Ressaltamos que não se trata de um problema estrutural do setor produtivo, mas sim de um efeito
conjuntural decorrente de fatores geopolíticos externos, que impactam o funcionamento das cadeias logísticas globais”, conclui o texto.

Logística global 

No comércio internacional, o Oriente Médio ocupa posição estratégica para o setor, respondendo por mais de 25% das exportações brasileiras de carne de frango, carne de pato e de ovos. Trata-se de um mercado historicamente dependente do abastecimento brasileiro, especialmente em carne de frango halal.

A recente escalada do conflito na região trouxe, contudo, incertezas operacionais relevantes para as rotas marítimas internacionais, particularmente no Estreito de Ormuz e no Canal de Suez, dois dos corredores logísticos mais importantes para o comércio global de alimentos.

Diante do aumento do risco na região, armadores internacionais passaram a adotar medidas preventivas de segurança, incluindo a reorganização de rotas marítimas, ajustes operacionais e, em alguns casos, a suspensão temporária da abertura de novos bookings para determinados destinos.

Como consequência, exportadores brasileiros passaram a enfrentar mudanças logísticas relevantes,
incluindo redirecionamento de rotas via Cabo da Boa Esperança, utilização de portos intermediários de
transbordo e ampliação significativa dos tempos de trânsito marítimo. Estima-se que essas alterações
possam aumentar o tempo de viagem entre 10 e 15 dias, além de elevar custos operacionais
relacionados a frete, seguros, sobretaxas de risco e gestão de contêineres refrigerados.

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Fonte : CNN

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