Entre diversas peculiaridades em seu texto, o autor Aguinaldo Silva, nome por trás de “Três Graças”, incluiu no roteiro da novela a maldição da parede verde, que faz referência a um fenômeno vitoriano real, onde papéis de parede com altos níveis de arsênio (Verde de Scheele) causavam doenças e mortes.
Já ao longo da trama, Kasper, personagem de Miguel Falabella, citou, por algumas vezes, o evento. No entanto, todos ao seu redor ficaram sem entender, achando que se tratava de mais uma paranoia do marchand.
A primeira vez em que a teoria foi mencionada, ocorreu durante um jantar na casa de Ferette (Murilo Benício), que infartou ao descobrir que a namorada de seu filho, Leonardo (Pedro Novaes), Viviane (Gabriela Loran), é uma mulher trans.
“O que aconteceu com ele não foi culpa nossa. Foi culpa daquela parede verde que seu pai tem lá na casa dele”, disse Kasper em conversa com Lorena (Alanis Guillen), Maggye (Mell Muzzillo), Junior (Gutierrez Sotero), Lucélia (Daphne Bozaski) e João Rubens (Samuel de Assis).
“Vocês estão rindo da minha cara? Pois fique sabendo que estou falando a verdade”, acrescentou. “Parede verde atrai tragédia”, afirmou.
Em outro capítulo, Lorena contou aos colegas que o acolheram em casa sobre o flagra que sua mãe, Zenilda (Andreia Horta) deu em Ferette com a amante, Arminda (Grazi Massafera).
Ele, então, recordou a tonalidade do ambiente, mais uma vez. “Quer a minha opinião? A culpa de tudo isso que está acontecendo é daquela parede verde da casa do seu pai. Eu avisei! Eu sei do que eu estou falando. Aquele tom de verde atrai desgraça”, comentou.
Já nesta semana, durante a exposição em que Kasper revelou a aparição da obra “As Três Graças”, a cor apareceu pela terceira vez, abrindo espaço para uma série de problemas, incluindo sua prisão – uma vez que a obra estava desaparecida.

Mas o que é a “maldição da parede verde”?
A famosa maldição da parede verde não se trata apenas de uma lenda urbana, mas de um fenômeno – trágico – do século 19. Na época, o tom verde vibrante que decorava lares e vestimentas escondia um segredo letal: altíssimas concentrações de arsênico, um metal tóxico que espalhou doenças e mortes silenciosas pela sociedade vitoriana.
Tudo começou em 1775, quando o químico sueco Carl Wilhelm Scheele criou o “Verde de Scheele” (seguido pelo “Verde Paris”). Feito à base de arsenito de cobre, esse pigmento revolucionou o mercado por ser vibrante (um tom esmeralda que não existia até então), durável (ao contrário dos tons antigos, não desbotava) e acessível (barato de produzir).
A “maldição”, no entanto, se manifestava de forma invisível. Como o pigmento não era bem fixado aos materiais, ele se soltava facilmente. Em locais úmidos ou com o desgaste natural do tempo, o papel de parede liberava poeira e vapores tóxicos que eram constantemente inalados pelos moradores.
As vítimas sofriam de enxaquecas, tonturas, lesões na pele e problemas respiratórios. Casos graves levavam ao óbito, com relatos de crianças que definhavam em seus próprios quartos. Existe, inclusive, a famosa suspeita histórica de que o arsênico nas paredes tenha acelerado a morte de Napoleão Bonaparte.
A onipresença desse verde era assustadora, estava em brinquedos, livros, chapéus e roupas. O basta começou a surgir em 1874, quando o Dr. Robert Clark Kedzie publicou o livro “Shadows from the Walls of Death” (Sombras das Paredes da Morte). A obra era um alerta visual e tátil, contendo amostras reais de papéis de parede contaminados para provar o perigo iminente.
Embora a fabricação de papéis de parede com arsênico tenha caído drasticamente a partir do final de 1860, o pigmento sobreviveu em outros produtos de consumo até o início do século 20, deixando um rastro de toxicidade na história do design.
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Fonte : CNN