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Os comentaristas Helio Beltrão e Alessandro Soares discutiram, nesta quinta-feira (19), no quadro Liberdade de Opinião, sobre as medidas anunciadas pelo governo federal para tentar conter a alta do diesel e evitar uma possível greve dos caminhoneiros.

O Ministério da Fazenda propôs aos estados que zerem a cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre a importação de diesel como uma forma de mitigar a alta do preço do combustível. O governo estima que a medida deve promover um impacto fiscal de R$ 3 bilhões por mês aos cofres públicos estaduais. A União vai compensar 50% do montante renunciado.

Na avaliação de Helio Beltrão, não é possível saber se as medidas evitarão uma greve dos caminhoneiros, mas esse é o momento de o país encarar a alta do preço dos combustíveis.

“O Brasil vive a base do transporte rodoviário e a gente importa 30% do diesel que a gente consome. Então, cortar o imposto federal não vai ser suficiente. Além disso, os estados não vão ficar reduzindo impostos sem uma compensação”, afirma.

“Tabelamento nunca resolveu nada. O governo está igual barata tonta: ele tem medo de greve por um lado e pavor de inflação alta pelo outro, e essa tabela artificialmente alta força a mão da inflação”, pondera.

Para Alessandro Soares, quando o governo reconhece essa demanda, ele está reconhecendo que não está havendo, em tese, uma politização em razão da questão eleitoral, mas sim uma demanda legítima.

“O governo tenta fazer uma ação para apagar esse incêndio momentâneo, apesar de ser um problema de caráter estrutural. Isso tem a ver não só com a necessidade de uma fiscalização, de uma política mais estruturada para o setor, mas também com relação a essa dependência que nós temos em relação ao setor de transporte rodoviário”, diz.

Os comentaristas também falaram sobre os desafios enfrentados pela CPMI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), e os desdobramentos do suposto envolvimento do filho do presidente Lula, conhecido como Lulinha, nos descontos indevidos em aposentadorias e pensões.

CPMI DO INSS: quem é a “pedra no sapato” da Comissão?

A CPMI DO INSS vem enfrentando revezes em Brasília: o silêncio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) sobre a prorrogação dos trabalhos da comissão; o cancelamento de sessões por decisões judiciais que desobrigam o comparecimento de depoentes; e decisões da comissão que foram suspensas pela Justiça, como a quebra de sigilos do filho do presidente Lula aprovadas pela Comissão, mas suspensas pelo Supremo.

Beltrão acredita que existem algumas “pedras no sapato” da CPMI do INSS. “A maior delas até agora me parece ser o ministro Flávio Dino, que suspendeu uma votação de requerimento, que foi totalmente legal, de quebra de sigilo de Lulinha e de outras pessoas”, afirma.

“As outras pedras no sapato da CPMI são os que dentro da Comissão ficam trabalhando para blindar supostos bandidos. E a blindagem que a CPMI está fazendo é, na verdade, a blindagem ao Lula, porque sobre o Lulinha pairam acusações que precisam ser investigadas”, conclui.

Para Alessandro Soares, na prática, é preciso olhar com muita atenção para o que está sendo feito por esse instrumento constitucional. “Nós temos um cenário onde esse instrumento já não é utilizado necessariamente para ter um relatório para que sejam propostas novas legislações, novas medidas com relação ao governo”, afirma.

E continua: “uma das finalidades da Comissão é enviar relatórios para que iniciem investigações, o fato fundamental é que essas investigações hoje já existem. E o que nós estamos vendo são certos abusos, espetacularização”.

Empresa na Espanha compromete filho do presidente Lula?

O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, abriu uma empresa na Espanha após ter o nome envolvido nas investigações sobre as fraudes bilionárias do INSS. O nome da empresa é Synapta e teve início de operação em 13 de janeiro de 2026, inscrita em 6 de fevereiro no Registro Mercantil de Madri com número 877616, conforme constam os documentos analisados pela CNN após divulgação do caso pela Folha de S.Paulo.

Beltrão questiona a ascensão financeira do filho do presidente.

“Até 2002, o Lulinha, que é biólogo, era monitor do jardim zoológico, emprego honesto. Mas logo que Lula foi eleito, Lulinha apareceu com uma empresa que supostamente produzia games. E de repente essa empresa passou a receber aportes milionários”, fala. “Lulinha está comprometido faz tempo, mas ele vem sendo blindado. Essa saída do Brasil foi providencial para sair dos holofotes”, opina.

Já Alessandro Soares questiona qual é a acusação em relação à empresa aberta na Espanha. “No caso do Lulinha tem uma investigação em andamento, não tem condenação, e você não tem nenhum tipo de elemento para dizer que ele vai fugir para a Espanha”, pondera. “É uma narrativa muito estranha, o debate está completamente contaminado pelo processo eleitoral”, opina.

O quadro Liberdade de Opinião vai ao ar todas terças e quintas-feiras às 7h30 durante o CNN Novo Dia.

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Fonte : CNN

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