wp-header-logo.png

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto ameaçou um primo da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, por conta de conversas entre eles nas redes sociais. Segundo relatório da Polícia Civil, o caso ocorreu após o familiar comentar em uma foto da mulher na internet.

Mensagens retiradas do celular de Geraldo mostram o registro da “cobrança”. Em conversa direta no ambiente virtual, o tenente-coronel enviou para o primo de Gisele o recado abaixo:

Boa tarde. Eu sou marido da Gisele. Eu tenho acesso as redes sociais dela e ela nas minhas redes sociais. Eu que printei as conversas sua com ela. Acho que vc (sic) está com muita conversa com a minha esposa. Então meu amigo, se orienta blz! (sic)

Geraldo Neto, tenente-coronel para primo de PM morta

O caso se deu no dia 6 de fevereiro de 2025. Mesmo se tratando de um familiar, a interação despertou ciúmes no homem.

Na ocasião, Geraldo usou o acesso que tinha ao perfil da mulher para “printar” conversas com o primo dela. Após as mensagens, Gisele chegou a se desculpar com o rapaz pelo comportamento do marido.

O episódio foi utilizado pelas autoridades para corroborar os depoimentos de familiares sobre o isolamento social imposto à policial militar. A mulher foi morta na metade do último mês e o homem foi preso nesta quarta-feira (18) por feminicídio e fraude processual.

“Regras de casados”

O relatório final da Polícia Civil de São Paulo apontou que o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto estabeleceu “regras de casados” a serem cumpridas pela esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana.

Segundo o documento, Geraldo tentava impor uma espécie de “manual de submissão” que deveria ser seguido por Gisele. As investigações mostraram que o homem exercia um controle coercitivo severo ao monitorar a aparência, comportamentos e até mesmo a vida profissional da mulher.

Veja matéria completa em: Tenente-coronel impôs “regras de casados” para esposa PM; entenda

“Jamais será solteira”

Em mensagens trocadas entre o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e sua esposa Gisele Alves Santana no dia 13 de fevereiro, a mulher deixou claro a ele que o relacionamento havia acabado e que não se sentia mais casada.

No diálogo, a PM afirmou estar “praticamente solteira”. A resposta do tenente-coronel foi: “Jamais! Nunca será!”.

Segundo o relatório da Polícia Civil, Gisele manifestava de forma clara o desejo de encerrar o casamento.

Em outras mensagens enviadas nos dias anteriores ao crime, ela chegou a escrever: “quero o divórcio”, além de solicitar o envio de documentos para formalizar a separação e afirmar: “Se considere divorciado”.

A mulher ainda teria dito frases como “acabou a admiração”, “vamos separar” e “não tem como viver assim”.

Tenente-coronel foi preso

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, indiciado pela Polícia Civil de São Paulo pela morte da esposa, a PM Gisele Santana, foi preso na manhã de quarta-feira (18).

A polícia havia pedido à Justiça paulista o mandado de prisão preventiva nesta terça (17), que foi concedido pela Justiça Militar e cumprido pela Corregedoria da Polícia Militar com apoio do 8º DP (Belenzinho).

Geraldo foi preso em sua residência em São José dos Campos, no interior de São Paulo, e conduzido ao Presídio Militar Romão Gomes.

Veja como foi feminicídio

A abordagem, contenção da vítima e disparo contra a cabeça de Gisele podem ser descritos em quatro atos, segundo laudo. Veja abaixo:

De acordo com os peritos da Polícia Científica de São Paulo, o tenente-coronel abordou a vítima no interior da residência. A abordagem ocorre por trás, pegando Gisele de surpresa.

Geraldo teria imobilizado a vítima, agarrando-a pelas costas. Gisele tentou se desvencilhar do ataque. Nesse momento, o suspeito empunha uma arma de fogo próxima à cabeça dela.

laudo identificou lesões compatíveis com pressão de dedos na parte de baixo do rosto da PM e na lateral direita do pescoço. Também foi encontrada uma marca superficial de unha.

Para os peritos, essas marcas indicam que houve uma luta corporal ou tentativa de esganadura antes do disparo fatal.

O que diz a defesa do tenente-coronel

“O escritório de advocacia MALAVASI SOCIEDADE DE ADVOGADOS, contratado para assistir o tenente-coronel GERALDO LEITE ROSA NETO no acompanhamento das investigações relativas ao suicídio de sua esposa, vem a público prestar esclarecimentos.

Ante o recente decreto dúplice de prisão do tenente-coronel pelos mesmos fatos tanto perante a Justiça Militar quanto pela Justiça Comum, a defesa encontra-se estarrecida pela manutenção da competência de ambas as jurisdições.

Informa que sabedor dos pedidos de prisão em seu desfavor desde a data do dia 17/3 não só não se ocultou, como forneceu espontaneamente comprovante de endereço perante a Justiça, local onde foi cumprido o mandado de prisão, ato ao qual, embora manifestamente ilegal, pois proferido por autoridade incompetente, não se opôs, tendo mantido a postura adotada desde o início das apurações de colaboração com as autoridades competentes.

Informa, por fim, que já ajuizou Reclamação perante o STJ contra o decreto oriundo da Justiça castrense e que estuda o manejo de habeas corpus quanto à decisão da 5.ª Vara do Júri da Capital.

Reitera que seguem sendo divulgadas informações e interpretações que alcançam aspectos de sua vida privada, muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados, ocasionando exposição indevida e repercussões que atingem sua honra e dignidade. A intimidade, a vida privada, a honra e a imagem constituem direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal (art. 5º, X), razão pela qual a divulgação de elementos pertencentes a essas esferas encontra limites nas garantias constitucionais, sendo certo que, no momento oportuno, sua equipe jurídica irá reprochar toda e qualquer divulgação ou interpretação que venha vilipendiar tais direitos em relação ao Tenente-Coronel.

Por fim, o escritório reafirma sua confiança na atuação das autoridades responsáveis pela condução das investigações e reitera que o Tenente-Coronel aguarda a completa elucidação dos fatos”.

source
Fonte : CNN

Destaques Informa+

Relacionadas

Menu