O governo dos Estados Unidos mapeou oportunidades de investimento em 50 projetos de minerais críticos no Brasil que, somados, podem atrair aportes bilionários de bancos e empresas americanas no país.
Alguns desses projetos foram assunto na última quarta-feira (18), durante um fórum organizado pela embaixada dos EUA com empresas de mineração que atuam no Brasil.
“O Brasil tem a oportunidade de desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento de cadeias globais de suprimentos de minerais críticos seguras e resilientes. Os EUA já estão investindo mais de US$ 600 milhões em projetos no país e vemos potencial para bilhões adicionais de investimento americano nessa área”, disse o encarregado de Negócios da embaixada, Gabriel Escobar.
A estratégia americana tem sido baseada na formação de parcerias e no incentivo ao avanço de parte da cadeia produtiva dentro do próprio Brasil.
Segundo relatos de participantes das reuniões, há disposição dos EUA em financiar etapas de maior valor agregado, como plantas de refino e separação.
O foco, neste momento, está em projetos de terras raras, lítio, grafite e níquel, insumos considerados essenciais tanto para tecnologias ligadas à transição energética quanto para a indústria de defesa.
Hoje, a maior parte dos projetos no setor de minerais críticos no Brasil ainda está em fase de desenvolvimento.
Muitas das empresas que desenvolvem esses empreendimentos são companhias listadas no exterior e vêm se posicionando como futuras fornecedoras confiáveis desses insumos para países ocidentais, movimento que tem atraído financiamento de governos e instituições de países como Canadá, França, Austrália e Estados Unidos.
Apesar de o diálogo ser mais frequente com empresas e governos estaduais, como Goiás e Minas Gerais, as conversas também ocorrem em nível federal.
Os Estados Unidos já apresentaram uma proposta e discutem a possibilidade de um memorando de entendimento com o governo brasileiro na área de minerais críticos.
Segundo fontes envolvidas nas negociações, está descartada qualquer cláusula de exclusividade em eventuais acordos. A proposta em discussão no governo federal não avançou até o momento.
Na prática, porém, os americanos não dependem de um acordo formal com Brasília para investir no setor.
Isso porque todos os projetos em desenvolvimento seguem a legislação brasileira, e grande parte das empresas já possuem direitos minerários concedidos.
Nesse contexto, eventuais acordos teriam caráter mais político, funcionando como um sinal de alinhamento do Brasil à estratégia de reorganização das cadeias produtivas do Ocidente.
Um exemplo recente dessa dinâmica foi o memorando assinado com o governo de Goiás, que abriga reservas relevantes de minerais críticos e diversos projetos em desenvolvimento.
No setor privado, o movimento foi interpretado como um indicativo de que os EUA podem avançar em parcerias mesmo sem a intermediação direta do governo federal.
Entre os possíveis efeitos práticos de um acordo mais amplo, segundo relatos, está a criação de mecanismos para dar maior previsibilidade aos preços desses minerais em negociações entre Brasil e Estados Unidos.
A discussão sobre pisos de preços é considerada estratégica porque reduz a volatilidade e dá segurança para investimentos de longo prazo, especialmente em projetos intensivos em capital, como os de terras raras.
Modelos semelhantes já vêm sendo discutidos por países aliados dos EUA, como a Austrália, em iniciativas voltadas à construção de cadeias de suprimento mais estáveis fora da China.
source
Fonte : CNN