wp-header-logo.png

O governo dos Estados Unidos tem sinalizado a mineradoras com projetos de minerais críticos no Brasil que instituições financeiras ligadas a Washington estão dispostas a apoiar não apenas a extração, mas também etapas intermediárias e mais avançadas da cadeia produtiva no país.

Isso inclui o financiamento de plantas de refino e separação.

O diagnóstico é de que apenas extrair minério não atende, nem de perto, ao objetivo central dos EUA neste momento: reduzir a dependência global da China e reorganizar cadeias produtivas de insumos críticos.

Hoje, Pequim domina não só a produção mineral, mas principalmente as etapas mais complexas da cadeia, como separação química, refino e fabricação de produtos de maior valor agregado.

Esse direcionamento aparece de forma explícita no memorando de entendimento firmado entre Goiás e os Estados Unidos na última quarta-feira (18).

O documento, que não tem caráter juridicamente vinculante e funciona como uma declaração de intenções, prevê o desenvolvimento de etapas industriais completas no estado.

Entre elas estão a separação de terras raras, a produção de ligas metálicas e até a fabricação de ímãs permanentes de neodímio, produto final de alto valor estratégico.

No caso das terras raras, esse ponto é central.

Hoje, a China concentra mais de 90% da produção global de ímãs permanentes.

Ou seja, sem verticalização, a tentativa de reorganizar a cadeia perde eficácia: mesmo com novos fornecedores de minério, a China tende a seguir dominante justamente nas etapas de maior valor e controle tecnológico, como separação, refino e fabricação de produtos finais.

Por isso, o recado dos americanos, segundo relatos de participantes de reuniões ao longo da semana, é de apoiar algum nível de industrialização nos países com reservas minerais, especialmente no Brasil, que tem endurecido o discurso e condicionado acordos à agregação de valor local.

“O Brasil tem a oportunidade de desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento de cadeias globais de suprimentos de minerais críticos seguras e resilientes. Os EUA já estão investindo mais de 600 milhões de dólares em projetos de minerais críticos no Brasil, e vemos o potencial para bilhões de dólares adicionais de investimento americano nessa área”, disse o Encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar.

A produção de bens finais no Brasil, como ímãs ou baterias, no entanto, ainda é vista como um desafio mais distante.

Isso porque essas etapas pertencem a cadeias industriais distintas da mineração e exigem a atração de novos setores produtivos, além de tecnologia e escala industrial que hoje estão concentradas principalmente na Ásia.

Essas etapas, sim, tendem a acontecer nos EUA ou na União Europeia.

Ainda assim, mesmo em projetos que não avancem em etapas avançadas, já há espaço relevante para agregação de valor dentro do Brasil.

Um exemplo citado nas discussões é o projeto da Brazilian Nickel, no Piauí, que prevê a produção de mixed hydroxide precipitate, um composto intermediário amplamente utilizado na cadeia global de baterias.

Esse não é o metal final, mas representa um estágio mais avançado em relação ao minério bruto. Ele é posteriormente refinado para produzir níquel de alta pureza, utilizado principalmente em baterias.

Na prática, isso já configura agregação de valor em território nacional, um passo importante dentro da estratégia de reconfiguração das cadeias globais.

Outro projeto frequentemente citado, e que mantém interlocução ativa com autoridades americanas, é o de Araxá, da St George Mining. O projeto é considerado inovador pela estratégia de minerar nióbio e terras raras no mesmo depósito.

A companhia conduz uma nova rodada de testes metalúrgicos para definir a melhor rota de processamento dos minerais extraídos. As alternativas vão desde a produção de um concentrado misto de terras raras até etapas mais avançadas, como a obtenção de óxidos separados de neodímio (Nd) e praseodímio (Pr).

Esses dois elementos estão entre os mais valiosos do grupo e são fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, insumos críticos para veículos elétricos, turbinas eólicas e aplicações de defesa.

Ambas as opções de produto final avaliadas pela empresa já representam etapas relevantes de agregação de valor no Brasil, pois exigem processos químicos e metalúrgicos complexos que transformam o minério bruto em insumos industriais

A produção de carbonato misto já implica processamento químico do minério concentrado, etapa que reduz volume, aumenta o valor do produto e prepara o material para refino posterior.

Já a separação de óxidos individuais representa um estágio ainda mais avançado da cadeia produtiva.

Esses óxidos são a base para a fabricação de ímãs permanentes de alta performance.

 

source
Fonte : CNN

Destaques Informa+

Relacionadas

Menu