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A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, afirmou em entrevista ao CNN Prime Time que o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) poderia ter iniciado o ciclo de cortes na taxa de juros ainda em janeiro deste ano, considerando os sinais de desaceleração econômica já evidentes no país.

“Na nossa opinião, o Copom já podia ter iniciado esse corte, até mesmo em janeiro. Esses sinais de desaceleração da atividade são bem claros, a política monetária tem essa defasagem”, destacou Vitória, referindo-se ao tempo que a política monetária leva para surtir efeito na economia real.

A especialista comentou que o corte de 0,25 ponto percentual anunciado pelo Banco Central foi “simbólico”, mas que poderia ter sido maior caso o cenário fosse menos incerto. “Foi um corte bastante restrito. O corte hoje foi até simbólico, que poderia também ter sido de 0,50, se o Copom tivesse um cenário um pouco menos incerto”, avaliou.

Impactos na economia

Rafaela Vitória apontou que existem diversos sinais no cenário econômico que justificam a redução da taxa básica de juros, como o aperto de crédito observado recentemente, grandes reestruturações empresariais e um mercado de capitais com menor apetite a risco. Segundo ela, o crédito tende a crescer menos este ano, reforçando os sinais de desaceleração da atividade econômica.

Questionada sobre se o corte atual de 0,25 ponto percentual seria suficiente para destravar o crédito no país, a economista foi cautelosa: “Ainda não, uma redução de 0,25 para uma taxa de 15% ainda é uma redução pouco significativa, vai levar um tempo para a gente ter um pouco mais de apetite a risco no mercado e para o crédito ter uma aceleração um pouco maior”.

Cenário externo e próximos passos

A economista também comentou sobre a decisão do Fed (Federal Reserve) de manter a taxa de juros nos Estados Unidos entre 3,5% e 3,75%, contextualizando o cenário internacional que influencia as decisões do Banco Central brasileiro.

Sobre o comportamento do câmbio, que tem se mantido relativamente estável apesar das incertezas globais, Rafaela Vitória explicou que a balança comercial brasileira está em situação favorável, especialmente com o aumento do preço do petróleo, o que tende a fortalecer a moeda nacional. “O Brasil é um país exportador de petróleo e isso tende a fortalecer a nossa moeda em relação às demais”, afirmou.

Para os próximos passos da política monetária, a economista-chefe do Inter acredita que o processo de calibração deve continuar, mas ficou em aberto se os próximos cortes serão de 0,25 ou se poderão acelerar para 0,50 ponto percentual, dependendo da evolução do cenário econômico. Demonstrando otimismo, Vitória sugeriu que até o final do ano a taxa Selic poderia chegar próximo aos 12%.

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Fonte : CNN

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