A Federação Real Marroquina de Futebol se manifestou de forma mais contundente após a decisão do Comitê de Apelações da Confederação Africana de Futebol que alterou o resultado da final da Copa Africana de Nações 2025.
Em comunicado, a entidade saudou o veredito e afirmou que a medida reforça o respeito às regras e a estabilidade das competições internacionais.
Segundo a federação, desde os incidentes que marcaram a interrupção da partida decisiva, a posição do Marrocos foi clara: exigir a aplicação rigorosa do regulamento. A entidade voltou a afirmar que, em nenhum momento, buscou contestar o desempenho esportivo das equipes envolvidas.
“A ação tomada nunca teve a intenção de contestar o desempenho esportivo das equipes, mas sim de exigir o respeito às regras”, destacou a FRMF.
O comunicado também menciona que houve uma decisão inicial desfavorável, posteriormente revertida após recurso. Para a federação, o novo entendimento da CAF reconhece que o regulamento da competição não foi respeitado durante a final.
A entidade marroquina ressaltou ainda que seguiu todos os trâmites formais ao longo do processo, participando de audiências e apresentando argumentos dentro das normas previstas para a resolução de disputas no futebol internacional.
Na avaliação da FRMF, a decisão final contribui para dar maior clareza a situações semelhantes no futuro e fortalece a credibilidade das competições organizadas no continente africano.
“A decisão ajuda a esclarecer os regulamentos aplicáveis e contribui para a consistência e credibilidade das competições internacionais”, afirmou.
O posicionamento também projeta os próximos compromissos do país no cenário esportivo. A federação indicou que seguirá defendendo a aplicação justa das regras e já volta suas atenções para torneios importantes, como a Copa do Mundo Feminina e a próxima edição da Copa Africana de Nações Feminina.
Por fim, a FRMF adotou tom conciliador ao parabenizar todas as seleções participantes da edição do torneio, classificando a competição como um marco relevante para o futebol africano.
Entenda a situação
O Senegal havia vencido por 1 a 0 em Rabat, mas deixou o campo por 14 minutos no fim do tempo regulamentar em protesto contra um pênalti marcado para os anfitriões. A equipe retornou e garantiu a vitória na prorrogação.
Embora o protesto inicial do Marrocos tenha sido rejeitado pelo Comitê Disciplinar, o Conselho de Apelação entendeu que o Senegal violou o regulamento ao abandonar o campo, decisão que resultou na entrega do título aos marroquinos.
Segundo o Comitê de Apelação, a atitude de Senegal se enquadra nos artigos 82 e 84 do regulamento da Copa Africana de Nações, que preveem derrota automática para equipes que se recusam a continuar uma partida ou deixam o campo sem autorização da arbitragem antes do apito final.
Nas semanas seguintes, a CAF aplicou multas, suspensões e punições a jogadores e membros das duas seleções, diante de um cenário classificado como violação de princípios de fair play e respeito à arbitragem.
A entidade também anunciou na terça-feira o cancelamento da multa de 100 mil dólares (R$ 521 mil) imposta ao atacante marroquino Ismael Saibari e a redução de sua suspensão de três para um jogo por seu envolvimento durante a confusão.
Apesar disso, a multa de 100 mil dólares imposta ao Marrocos por seus jogadores e dirigentes que tentaram interferir no processo do VAR segue mantida.
Em nota oficial, a Federação Marroquina de Futebol afirmou que o recurso teve como base o cumprimento estrito das normas da competição. A entidade destacou ainda o compromisso com a integridade regulatória e a estabilidade dos torneios africanos.
Já a Federação Senegalesa de Futebol afirmou que levará o caso ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), com sede na Suíça, buscando reverter a decisão. O governo do Senegal convocou uma investigação internacional independente após classificar a decisão como suspeita de corrupção.
Legado histórico de suspeitas e desconfiança
“Já manifestei minha extrema decepção com os incidentes ocorridos na final”, disse Motsepe em comunicado por vídeo divulgado nesta quarta-feira (18).
“Isso prejudica o trabalho que a CAF vem fazendo há muitos anos para garantir integridade, respeito, ética, governança e credibilidade nos resultados das partidas.”
O dirigente afirmou que o futebol africano ainda convive com suspeitas e desconfiança, classificando o problema como um legado histórico. Segundo ele, uma das prioridades desde que assumiu foi garantir imparcialidade e independência na arbitragem.
Presidente da CAF defende comitês
Motsepe destacou que tanto o Comitê Disciplinar quanto o de Apelação são independentes e formados por profissionais do direito escolhidos com apoio das federações filiadas.
“É importante que as decisões desses órgãos sejam vistas com respeito e integridade”, afirmou. “Sua composição inclui alguns dos advogados e juízes mais respeitados do continente.”
Apesar disso, ele reconheceu que a percepção pública ainda é um desafio. “Ainda teremos de lidar com preocupações sobre integridade. É uma questão contínua”, acrescentou.
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Fonte : CNN