O enorme campo de gás de Pars, do Irã, foi atingido nesta quarta-feira (18), nos primeiros ataques relatados contra a infraestrutura energética iraniana no Golfo durante a guerra no Oriente Médio. Essa escalada significativa levou Teerã a alertar seus vizinhos para que deixassem suas instalações de energia.
Pars é o setor iraniano da maior reserva de gás natural do mundo, que o Irã compartilha com o Catar do outro lado do Golfo. A agência de notícias iraniana Fars informou que tanques de gás e partes de uma refinaria foram atingidos, os trabalhadores foram retirados para um local seguro e equipes de emergência estavam tentando apagar o incêndio.
O ataque foi amplamente noticiado pela mídia israelense como tendo sido realizado por Israel com o consentimento dos Estados Unidos. Os militares israelenses não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.
O Catar, um aliado próximo dos EUA e que abriga a maior base aérea americana na região, classificou o ataque como israelense, sem mencionar qualquer envolvimento de Washington. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar o considerou uma escalada “perigosa e irresponsável” que coloca em risco a segurança energética global.
A Guarda Revolucionária do Irã ordenou rapidamente à Arábia Saudita, aos Emirados Árabes Unidos e ao Catar que evacuassem diversas instalações de energia.
Os Estados Unidos e Israel haviam anteriormente evitado atacar as instalações de produção de energia do Irã no Golfo, uma medida que poderia provocar represálias contra outros produtores e dificultar a recuperação dos mercados globais daquela que já foi a maior interrupção no fornecimento de energia da história.
Mas, quase três semanas após o início da guerra, não houve nenhum sinal de descompressão.
‘Todos estão na mira’
Israel afirmou na quarta-feira (18) ter matado o ministro da inteligência do Irã, no segundo ataque contra uma importante figura de liderança em dois dias, e autorizou os militares a alvejar qualquer alto funcionário iraniano que conseguirem localizar.
Israel também atingiu o centro de Beirute, destruindo prédios de apartamentos em alguns dos ataques aéreos mais intensos contra a capital libanesa em décadas, na outra frente da guerra que Israel iniciou com os EUA contra o Irã.
“Ninguém no Irã tem imunidade e todos estão na mira”, disse o ministro da Defesa, Israel Katz, que anunciou que Israel matou o ministro da Inteligência iraniano, Esmail Khatib, um dia depois de matar o chefe de segurança, Ali Larijani.
“O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e eu autorizamos as Forças de Defesa de Israel a alvejar qualquer alto funcionário iraniano para o qual surja uma oportunidade operacional e de inteligência, sem a necessidade de aprovação adicional.”
Ao que tudo indica, esta foi a primeira vez que Israel declarou publicamente que permitiria que as forças armadas alvejassem autoridades inimigas sem a necessidade de autorização especial de líderes políticos para tais missões. Katz não informou quando a ordem foi dada.
Em Teerã, milhares de pessoas saíram às ruas para o funeral de Larijani e de outras figuras assassinadas. A multidão agitava bandeiras iranianas e carregava retratos dos mortos enquanto um orador cantava: “Os mártires estão abrindo o caminho, tornaram-se mais vivos, ardendo em amor.”
O Irã retaliou pelo assassinato de Larijani lançando mísseis contra Israel, que, segundo as autoridades israelenses, mataram duas pessoas perto de Tel Aviv. Teerã afirmou ter disparado mísseis durante a noite contra Tel Aviv, Haifa e Beersheba, em Israel, e contra bases americanas no Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que os EUA e Israel não conseguiram entender que a República Islâmica é um sistema político robusto que não depende de nenhum indivíduo em particular.
Preços disparam
A interrupção sem precedentes no fornecimento global de energia aumentou a importância política da disputa para o presidente dos EUA, Donald Trump. Os preços do diesel nos Estados Unidos ultrapassaram os US$ 5 por galão pela primeira vez desde a alta inflacionária de 2022, que corroeu o apoio ao seu antecessor, Joe Biden.
Israel intensificou os ataques contra o Líbano e uma ofensiva terrestre no sul do país em busca do grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, que disparou contra o país em solidariedade a Teerã.
No bairro de Bachoura, no centro de Beirute, Israel alertou os moradores na manhã de quarta-feira para que deixassem um prédio que, segundo o governo israelense, era usado pelo Hezbollah. O prédio foi então completamente demolido. Vídeos de testemunhas oculares, verificados pela Reuters, mostram o edifício desmoronando em pó ao ser atingido pelo ataque ao amanhecer.
Abu Khalil, que mora na região, disse ter ajudado moradores a fugirem de casas próximas após o alerta israelense. “É apenas uma operação para ferir, para aterrorizar as pessoas, para aterrorizar as crianças”, disse ele à Reuters, insistindo que não havia alvos militares nas proximidades.
Segundo as autoridades libanesas, não foram emitidos avisos semelhantes para os ataques que atingiram prédios de apartamentos em outros dois distritos centrais, matando pelo menos 10 pessoas. Fumaça saía da varanda de um dos prédios enquanto moradores varriam os destroços da rua.
Em Israel, um míssil iraniano abriu uma cratera no asfalto e incendiou carros em uma área residencial de Holon, ao sul de Tel Aviv.
“Soou um alarme, fomos para o abrigo e ouvimos um estrondo ensurdecedor”, disse a moradora Leah Palteal à Reuters.
A HRANA, organização de direitos humanos sediada nos EUA e defensora dos direitos humanos no Irã, afirmou na segunda-feira (16) que mais de três mil pessoas foram mortas no país desde o início dos ataques israelenses e americanos em 28 de fevereiro. Autoridades libanesas relatam que 900 pessoas foram mortas e 800 mil foram forçadas a fugir de suas casas.
Os ataques iranianos mataram pessoas no Iraque e em diversos países do Golfo. Catorze pessoas morreram em Israel.
source
Fonte : CNN