wp-header-logo.png

As autoridades do Federal Reserve, reunidas em um cenário de guerra que começou há menos de três semanas, devem manter a taxa de juros nesta quarta-feira (18), ​mas, mais significativamente, devem detalhar em um novo comunicado de política monetária e em ​novas projeções como sentem que a decisão do presidente Donald Trump de lançar um conflito aberto e sem prazo definido contra o Irã redefine as perspectivas para a economia dos Estados Unidos, a inflação e a política monetária.

Não há apostas seguras e, sem um ponto de parada claro para a campanha de bombardeio dos Estados Unidos e Israel, economistas dizem que os impactos domésticos e globais dependem de quanto tempo a guerra vai durar, da estrutura de qualquer governo iraniano que surja ao final dela e se os preços do petróleo subirão ainda mais além de US$ 100 por barril ou se recuarão logo para os níveis ⁠anteriores à guerra, abaixo de US$ 80.

 

 

O preço médio da gasolina nos ​EUA era de US$ 3,79 por galão na terça-feira (17), mais de 25% mais alto do que antes da guerra, de acordo com dados ​do grupo de defesa dos motoristas AAA.

Por sua vez, vários outros preços podem aumentar: as companhias aéreas começaram a alertar sobre a alta dos ⁠custos de viagem com o aumento do preço do combustível de aviação, e ⁠uma autoridade da Casa Branca disse que os EUA estavam buscando outras fontes de fertilizantes agrícolas.

À medida que os consumidores ​lidam ‌com os preços mais altos relacionados ao petróleo, eles podem cancelar compras ou tentar reduzir totalmente os gastos, enquanto os parceiros comerciais dos EUA na Europa ⁠enfrentam um choque inflacionário ainda mais acentuado.

Para o Fed, a perspectiva deixou de ser a confiança no crescimento econômico estável e na desaceleração da inflação e passou a ser um cabo de guerra entre pressões de preços potencialmente crescentes e novos riscos para o crescimento e o mercado de trabalho.

As autoridades do banco central dos ‌EUA apresentarão ⁠suas melhores estimativas sobre o ‌que vem pela frente por meio de sua decisão de juros, do comunicado de política monetária e das projeções trimestrais atualizadas às 15h (horário de Brasília).

O chair do Fed, Jerome Powell, dará uma coletiva à imprensa cerca de meia hora depois.

Diane Swonk, economista-chefe da KPMG, disse em uma análise feita na semana passada que o ⁠momento parece propício para que as projeções atualizadas do Fed se movam em uma ⁠direção estagflacionária.

Ela disse que espera que uma inflação e desemprego mais altos sejam previstos para o final deste ano, e que a perspectiva para a taxa de juros seja ainda mais dividida ‌entre as autoridades do banco central que defendem cortes para manter o mercado de trabalho nos trilhos e aquelas que defendem a manutenção de uma política monetária apertada – ou até mesmo a sugestão de aumentos com uma perspectiva de juros mais altos no final do ano.

“As previsões estão sendo feitas em meio a uma nuvem de incerteza. Eu esperaria que os participantes da reunião reduzam suas avaliações de crescimento, enquanto aumentam suas estimativas de inflação e desemprego”, disse ‌Swonk.

“O ‘gráfico de pontos’, que inclui as expectativas dos participantes quanto a aumentos ou cortes nos juros, provavelmente mostrará um pouco de ambos”, com prováveis dissidências a favor de cortes por parte daqueles que acham que o Fed não deve ficar parado, mantendo os custos dos empréstimos estáveis em meio a um ⁠crescimento do emprego fraco e talvez em queda, e as projeções dos membros mais “hawkish”, contemplando um aumento nos juros antes do final do ano.

A guerra do Irã marca o segundo choque potencialmente estagflacionário que Trump provocou nas perspectivas do Fed, já que, há um ano, os banqueiros centrais também consideraram as propostas tarifárias do novo governo ​como um golpe tanto para o crescimento quanto para os preços.

Embora o impacto inicial das tarifas de importação não tenha sido tão severo quanto o esperado, as ​empresas disseram que ainda estão no processo de repassar os custos mais altos, fato que já fez com que as autoridades, na reunião de 27 e 28 de janeiro do Fed, discutissem a possível necessidade de aumentos nos juros em vez de cortes.

O novo comunicado de política monetária será lido com atenção em busca de sugestões de que a política do Fed agora é “bilateral”, com o próximo ‌movimento nos juros sendo potencialmente um aumento.

source
Fonte : CNN

Destaques Informa+

Relacionadas

Menu