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O regime iraniano consegue sobreviver mesmo após a eliminação de figuras importantes de sua hierarquia devido à sua característica descentralizada, que permite a rápida substituição de lideranças em vários níveis. Análise é de Hussein Kalout, professor de Relações Internacionais da USP e pesquisador de Harvard, em entrevista ao WW.

Segundo Kalout, a estratégia de decapitação – eliminação de líderes-chave – não tem sido eficaz contra o Irã justamente porque o país mantém substitutos e sucessores qualificados em diversas áreas do governo. Como exemplo, o especialista cita que o sucessor de Ularijani já está definido, sendo provavelmente Said Jalili ou Ali Kalibaf, ambos oriundos do aparato de segurança iraniano.

Divergências estratégicas entre Israel e Estados Unidos

Um ponto crucial destacado por Kalout é a diferença de objetivos entre Israel e Estados Unidos em relação ao Irã. Enquanto Israel prefere que o regime iraniano seja comandado por radicais, os americanos desejam ver figuras mais pragmáticas no poder.

“Israel sabe qual é a estratégia que está seguindo, que é muito antagônica à de Washington nesse caso em particular”, apontou o professor: “Israel não quer que nenhuma negociação seja retomada. Então, quando elimina um Larijane ou um Kamenei, ele sabe o que está fazendo […] não querem que as negociações sejam retomadas de jeito nenhum”.

Segundo o especialista, a estratégia israelense tem dois fundamentos: provocar a queda do regime ou, caso isso não aconteça, garantir que radicais assumam o poder, o que inviabilizaria qualquer possibilidade de negociação com o Ocidente.

O especialista explica que figuras como Larijani desempenhavam papel fundamental no equilíbrio interno do Irã, fazendo a ponte entre o mundo político – que inclui moderados, reformistas e teocratas – e o mundo militar, dominado por linha-duras contrários a negociações com potências ocidentais. “Ele era a espécie do conselheiro de segurança nacional que construía o equilíbrio e o consenso, fazia a ponte entre os Linha Dura e os Moderados”, afirmou sobre Larijani.

Na visão dos Estados Unidos, conforme Kalout, o ideal seria que, após a eliminação de figuras como Larijani, assumissem líderes pragmáticos que pudessem abrir caminhos para negociações. Esta divergência de objetivos revela uma fratura importante na estratégia dos aliados para lidar com o regime iraniano.

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Fonte : CNN

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