O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, assina nesta quarta-feira (18) um memorando de entendimento com o governo dos Estados Unidos para ampliar parcerias na área de minerais críticos.
A assinatura ocorre no consulado dos EUA em São Paulo e faz parte do movimento americano de se aproximar de projetos estratégicos no Brasil, em meio à tentativa de reorganização das cadeias globais desses insumos, hoje fortemente concentradas na China.
Na prática, um memorando de entendimento não tem força de contrato vinculante, mas estabelece diretrizes formais de cooperação entre as partes.
A cooperação estruturada no memorando se apoia em cinco eixos que, na prática, atacam os principais gargalos da mineração no Brasil, do conhecimento geológico até a industrialização.
O primeiro é o mapeamento do potencial mineral de Goiás, com apoio técnico e pesquisa conjunta entre os dois países.
Sem informação geológica detalhada, o risco para o investidor aumenta, o custo de capital sobe e muitos projetos sequer saem do papel. Ao ampliar o nível de conhecimento sobre o subsolo, o estado reduz incertezas, torna os projetos mais “financiáveis” e acelera decisões de investimento.
O segundo eixo trata da criação de um mercado mais aberto e transparente de minerais críticos. Isso envolve facilitar a entrada de capital, conectar projetos locais a fornecedores de tecnologia e equipamentos, especialmente dos EUA, e adotar melhores práticas internacionais de governança e dados geológicos.
O terceiro pilar é o ambiente regulatório. O acordo busca dar mais previsibilidade e consistência às regras, um dos pontos mais sensíveis para investidores estrangeiros.
Quanto mais claro e estável o marco regulatório, maior a tendência de entrada de capital de longo prazo, especialmente em projetos intensivos em investimento como os minerais críticos.
No setor privado, Goiás é visto como um dos estados mais proativos na disputa por investimentos em minerais críticos.
Em 2025, Caiado sancionou a lei que criou a Autoridade Estadual de Minerais Críticos, com o objetivo de coordenar políticas públicas, destravar projetos e atrair capital para o setor.
A legislação também autoriza a criação de Zonas Especiais de Minerais Críticos, áreas consideradas estratégicas que poderão contar com benefícios econômicos, fiscais e creditícios, além de prioridade em investimentos em infraestrutura de transporte, logística e energia.
O quarto eixo envolve capacitação técnica e institucional.
A ideia é integrar governo, universidades e empresas dos dois países para desenvolver tecnologia, formar mão de obra especializada e acelerar inovação, algo essencial em cadeias como a de terras raras, que exigem conhecimento técnico avançado.
O quinto eixo trata diretamente da agregação de valor dentro do próprio estado.
O memorando prevê o desenvolvimento de etapas industriais completas em Goiás, como separação de terras raras, produção de ligas e fabricação de ímãs permanentes de neodímio.
Hoje, essas etapas estão concentradas em poucos países, principalmente na China.
Além disso, o acordo abre caminho para incentivos fiscais e financeiros voltados a projetos que garantam produção local, geração de empregos e transferência de tecnologia.
Não basta extrair, o objetivo é internalizar etapas industriais e posicionar o estado como um elo relevante na cadeia global de minerais críticos.
O estado já firmou acordo semelhante com o Japão e vem tentando atrair investidores ao oferecer previsibilidade regulatória, benefícios fiscais e licenciamento ambiental mais ágil, um dos principais gargalos do setor no Brasil.
Em encontro com investidores e diplomatas japoneses em 2025, Caiado afirmou que o governo estadual pode autorizar, em até três meses, o início de “qualquer” pesquisa ou instalação no estado. Quando o assunto são terras raras, Goiás aparece como uma das regiões mais promissoras do país, ao lado de Minas Gerais.
O estado concentra projetos relevantes em diferentes estágios, alguns já com participação de capital americano.
A única operação comercial de terras raras em atividade no Brasil atualmente está justamente em Goiás.
O empreendimento da Serra Verde, em Minaçu, produz concentrado de terras raras e recebeu financiamento do governo dos Estados Unidos.
source
Fonte : CNN