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O Mês da Mulher não é apenas um período para celebrar e refletir sobre as conquistas femininas. Serve também como um importante lembrete de temas que podem e devem ser explorados nos vestibulares.

A relevância da mulher na sociedade e a importância da igualdade de gênero são assuntos cada vez mais presentes nas provas, exigindo dos estudantes uma compreensão aprofundada.

A origem do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, remonta à proposta de Clara Zetkin, professora, jornalista e política alemã, feita em 1910 no “II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas”.

Nos anos seguintes, a data ganhou ainda mais força ao ser associada à trágica morte de 129 trabalhadoras em um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova Iorque, nos Estados Unidos, em 1857, um evento que muitos acreditam ter sido uma repressão brutal às greves operárias da época.

Contudo, a professora de história Natalie Padrão Oliveira, do Sistema Anglo de Ensino, afirma que, embora o 8 de Março seja um marco importante, a discussão sobre a relevância da mulher na sociedade e a importância da igualdade de gênero não pode se restringir a uma única data.

“Isso reforça a ideia de que as mulheres são relevantes apenas de maneira pontual, o que faz com que os estudantes tomem como verdade, ainda que de forma inconsciente, que a história é feita por homens.”

Para ela, é fundamental que esses temas sejam abordados de forma contínua e integrada na educação básica, permeando todo o currículo escolar.

Dar visibilidade e destaque às personalidades femininas em sala de aula, segundo a especialista, é uma questão de justiça histórica e representatividade. Afinal, Natalie diz, as mulheres e meninas compõem metade da população da humanidade, conforme dados da ONU (Organização das Nações Unidas) citados por ela.

No entanto, ao longo da história, elas foram frequentemente relegadas ao papel de coadjuvantes e silenciadas nas narrativas oficiais, que tradicionalmente privilegiaram a figura do homem branco e ocidental. Diante disso, Natalie enfatiza que cabe ao educador o compromisso de revisitar essas narrativas e apresentá-las sob um novo olhar, mais inclusivo e verdadeiro.

Fifuras icônicas

A doutora em psicologia Vanessa Abdo complementa essa visão, trazendo à tona a importância de figuras como a icônica artista mexicana Frida Kahlo para a compreensão da identidade e autoimagem.

“Ela trabalha questões de identidade, da autoimagem. Apesar de ter sofrido um acidente tão grave, ela coloca isso nas suas obras e trabalha a elaboração das suas dores por meio da arte”, afirma Vanessa, destacando a resiliência e a expressão artística como ferramentas de construção pessoal. “Então ela é uma identidade formada a partir de uma dor e da elaboração dessa dor por meio da arte.”

Segundo Natalie, a escola tem um papel insubstituível na ampliação de horizontes e na valorização da diversidade, permitindo que o jovem aumente seu repertório humano, crítico e cidadão, encontrando em figuras femininas inspiração e referência, além de reconhecer um protagonismo histórico que antes era silenciado.

Vanessa também aponta a filósofa e escritora francesa Simone de Beauvoir como uma figura central para o estudo das questões de gênero.

“A gente não nasce mulher, a gente se constrói. É uma boa personagem para falar de questões de gênero e também para falar dessa questão da construção do feminino como um produto social. Ele não vem pronto, mas ele é moldado, ele é constituído através das experiências que essa mulher tem enquanto sociedade”, complementa a psicóloga, ressaltando a relevância de Beauvoir para entender a construção social do feminino.

Legados femininos

Como exemplos de nomes que podem e devem ser trabalhados em sala de aula, Natalie Padrão Oliveira elenca mulheres cujas trajetórias foram e continuam sendo de extrema importância para a humanidade, e que são excelentes candidatas a temas de questões de vestibular.

Entre elas, destaca-se Nzinga Mbandi, a rainha do Reino de Dongo (atual Angola) que, durante o complexo período colonial, demonstrou uma liderança monumental, marcada por diplomacia astuta e estratégias militares eficazes para resistir ao domínio português.

Outra figura crucial é a “Índia” Vanuíre, liderança indígena kaingang no oeste paulista, lembrada por seu papel de mediadora em conflitos entre colonizadores e seu povo, cuja atuação foi fundamental em um período de grande transformação territorial.

No campo da saúde e da ciência, a médica psiquiatra brasileira Nise da Silveira dedicou sua vida à promoção de uma psiquiatria verdadeiramente humanizada, revolucionando o tratamento em saúde mental no Brasil ao defender e aplicar a arte como ferramenta terapêutica.

A coragem também se manifesta na história de Lyudmila Pavlichenko, a francoatiradora soviética que se tornou uma heroína da Segunda Guerra Mundial, creditada por abater mais de 300 soldados nazistas, desafiando estereótipos de gênero e destacando a participação feminina em papéis de combate.

Por fim, a matemática estadunidense Dorothy Vaughan é uma referência na área de computação e programação, pioneira na Naca (precursora da Nasa), onde fez história ao se tornar a primeira supervisora negra da instituição em 1949, mesmo sob a segregação racial.

Atenção a essas mulheres

  • Nzinga Mbandi (1582-1663): Rainha africana que resistiu ao domínio português com diplomacia e estratégias militares
  • Nise da Silveira (1905-1999): Médica psiquiatra brasileira que revolucionou o tratamento em saúde mental com a arte
  • “Índia” Vanuíre (incerto-1918): Liderança indígena kaingang e mediadora crucial em conflitos no oeste paulista
  • Lyudmila Pavlichenko (1916-1974): Francoatiradora soviética, heroína da Segunda Guerra Mundial por sua coragem e habilidade
  • Dorothy Vaughan (1910-2008): Matemática estadunidense e pioneira na computação, primeira supervisora negra na Naca/Nasa
  • Frida Kahlo (1907-1954): Artista mexicana que explorou identidade e autoimagem através da arte, elaborando suas dores
  • Simone de Beauvoir (1908-1986): Filósofa francesa que abordou a construção social do feminino com a frase “Não se nasce mulher, torna-se mulher

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Fonte : CNN

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