A Organização de Energia Atômica do Irã afirmou que um “projétil hostil” atingiu as instalações da usina nuclear de Bushehr, no oeste do país, nesta terça-feira (17), mas relatou que não houve vítimas nem danos à estrutura.
Em comunicado divulgado pela mídia iraniana, a organização disse que o Centro de Segurança Nuclear do país confirmou o ocorrido e constatou que ele não causou “danos financeiros, técnicos ou humanos”, acrescentando que “nenhuma parte da usina foi danificada”.
A organização afirmou que o projétil atingiu as instalações da usina por volta das 19h, horário local, mas não informou qual país foi o responsável pelo ataque.
“Tais ações são contrárias a todas as normas internacionais sobre a imunidade de instalações nucleares contra ataques militares e podem ter consequências irreparáveis para toda a região, incluindo os países que fazem fronteira com o Golfo Pérsico”, diz o comunicado.
A CNN entrou em contato com o exército israelense e o Departamento de Defesa dos EUA para obter comentários.
Rússia condena ataque
A Rosatom, corporação estatal russa de energia nuclear, condenou o ataque e pediu a redução da tensão na região.
“Condenamos categoricamente o ocorrido e apelamos a todas as partes envolvidas no conflito para que envidem todos os esforços para reduzir a tensão em torno da usina nuclear de Bushehr”, declarou o presidente da Rosatom, Aleksei Likhachev, em comunicado.
O comunicado afirma que o ataque ocorreu “no território adjacente ao prédio do serviço meteorológico, localizado nas dependências da usina nuclear de Bushehr, nas proximidades da unidade de geração de energia em operação”.
Informa ainda que os níveis de radiação ao redor da usina, cuja construção foi iniciada por uma empresa alemã na década de 1970 e posteriormente concluída pela Rússia, estavam normais e que não houve feridos entre os funcionários.
A Organização de Energia Atômica do Irã, citada pela agência de notícias Tansim, afirmou que um projétil atingiu a área próxima à usina.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam terem destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos sete mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvos do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, classificando como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.
(Com informações da Reuters)
source
Fonte : CNN