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André Mendonça tem demonstrado uma postura de extrema cautela ao analisar casos que envolvem parlamentares, evitando entrar em rota de colisão com o Congresso Nacional. De acordo com a analista Isabel Mega, durante o Bastidores CNN desta terça -feira (17), a abordagem do ministro ficou evidente na recente decisão dele relacionada à Operação Sem Desconto, da Polícia Federal.

Mega destacou que o ministro negou o pedido de prisão da deputada Gorete Pereira (MDB-CE), um dos principais alvos da operação. Em seu texto, Mendonça deixou clara sua posição: “Tenho adotado uma postura cautelosa em relação a pedidos de decretação de prisão de parlamentares”.

O ministro justificou sua posição afirmando que a prisão de parlamentares “acarreta efeitos significativos em uma república, notadamente por inviabilizar o pleno exercício do mandato parlamentar”. Ele acrescentou que, mesmo sendo possível decretar a prisão de um parlamentar, trata-se de “provimento judicial que exige extrema diligência e que por isso mesmo só deve ser adotado em circunstâncias excepcionais”.

A analista observou que, independente das suspeitas que recaem sobre Gorete Pereira, com indicativos de compras de imóveis e movimentação de cifras milionárias, ainda não suficientes para Mendonça enquadrar no que ele chama de casos excepcionais: “Ele está adotando cautela porque está evitando entrar em rota de colisão com o Congreso Nacional. A gente não está falando do caso dessa parlamentar, mas do simbolismo de uma decisão desse tipo”.

Casos sob responsabilidade do ministro

André Mendonça tem sob sua responsabilidade outros casos sensíveis que podem envolver parlamentares, como o caso Master, além da operação do INSS. Sua decisão atual já sinaliza qual será sua postura em possíveis desdobramentos futuros que atinjam membros do Congresso Nacional.

“Querendo ou não, ele já dá um indicativo de uma postura que vai adotar em casos do tipo que possam vir a surgir também em relação ao Caso Master“, pontuou a analista.

A cautela do ministro, segundo Isabel Mega, reflete uma preocupação com o equilíbrio entre os poderes e o reconhecimento do “espírito de corpo” que existe no Congresso Nacional, onde “mexeu com um, mexeu com todos”. “Há precedentes que são criados e que vão gerando preocupações entre os parlamentares”, afirmou a analista.

Isabel concliu afirmando que ao adotar esta postura, Mendonça envia uma mensagem ao mundo político sobre como pretende conduzir casos sensíveis sob sua responsabilidade, especialmente em um momento de tensão entre os poderes da República.

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Fonte : CNN

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