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O ex-chefe da Força Aérea Brasileira (FAB), Tenente-Brigadeiro Batista Júnior, fez um alerta preocupante em entrevista ao jornal Estadão sobre a capacidade militar do Brasil. Segundo ele, o país enfrenta uma deterioração gradual e significativa de sua capacidade militar, a ponto de as Forças Armadas não estarem preparadas para qualquer conflito moderno.

De acordo com Batista Júnior, a situação descendente da defesa brasileira não é exclusiva do atual governo, mas resultado de um processo que se estende pelos últimos 30 anos. Entre os motivos apontados está a baixa percepção histórica de ameaça na América do Sul, além das carências sociais do país. “Em síntese, nossa capacidade militar está já há algum tempo incompatível com o bem maior que deve proteger, o Brasil”, afirmou o Tenente-Brigadeiro.

“Mesmo dentro do dimensionamento das Forças Armadas para um cenário dos anos 2000, no máximo de 2010, a gente está muito atrasado”, afirmou o diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, em conversa sobre o assunto no WW.

Os atuais conflitos internacionais, como a guerra na Ucrânia e no Oriente Médio, acenderam o que o oficial chamou de “luz vermelha”. Esses conflitos evidenciam como as guerras modernas utilizam tecnologias avançadas, incluindo inteligência artificial, para as quais o Brasil não está preparado. “É a difícil constatação de que nossas forças armadas não estão minimamente preparadas para os conflitos modernos, que o grau de dissuasão militar está muito reduzido”, destacou.

“Parece que o governo Lula só se ligou das necessidades das Forças Armadas por conta das duas guerras, da guerra da Ucrânia e agora o conflito no Oriente Médio”, opinou o analista Caio Junqueira, ao WW: “O petismo tem uma objeção a militares e isso depois do bolsonarismo ficou ainda mais acentuado, mas, as duas guerras parecem ter feito o governo cair na real, embora não tenha recursos para cobrir esse buraco”.

Necessidade de reformas e investimentos

O Tenente-Brigadeiro criticou o orçamento engessado do governo federal e defendeu uma reforma na gestão da defesa, com o controle centralizado das Forças Armadas, subordinando o Exército, Marinha e Força Aérea a um Estado Maior conjunto. Especialistas apontam que, embora o governo tenha aprovado uma emenda constitucional que destina verbas orçamentárias para programas estratégicos de defesa nos próximos cinco anos, os recursos são insuficientes.

O plano de modernização das Forças Armadas necessitaria de aproximadamente R$ 800 bilhões, mas o governo apresentou um plano de apenas R$ 400 bilhões para pouco mais de 10 anos. Além disso, há problemas estruturais, como o fato de que o maior gasto atual dos militares é com folha de pagamento, o que limita os investimentos em equipamentos e tecnologia.

“Esse governo aprovou uma emenda constitucional que deu uma verba orçamentária para os próximos cinco anos para programas estratégicos de defesa do Brasil, mas, isso não elimina o fato de que toda questão da defesa no Brasil tem sido tratada com muito preconceito com relação aos militares por questões ideológicas”, apontou Murillo de Aragão, cientista política e CEO da Arko Advice, ao WW.

Em sua entrevista, Batista Júnior também comentou sobre a tentativa de golpe que terminou na prisão de alguns generais. Ele revelou que até hoje recebe ataques de oficiais da reserva e da ativa por ter se oposto em 2022 às medidas de exceção que chegaram a ser analisadas no governo anterior, chamando seus críticos de “viúvas do golpe que sonharam”.

A deficiência na defesa brasileira se manifesta em diversos aspectos. A Força Aérea, por exemplo, encomendou 36 caças Gripen em 2014, quando especialistas apontam que seriam necessários pelo menos 66. As entregas estão atrasadas, com pouco mais de 12 aeronaves entregues até o momento. O submarino nuclear projetado em torno de 2008 tem previsão de entrega apenas para a segunda metade da década de 2030, e o Exército carece de defesa de média altura, considerada crucial para a proteção territorial.

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Fonte : CNN

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